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sábado, 30 de julho de 2005

Eu já disse que eu não queria escrever sobre CPI, mensalão, essas coisas, mas já que sei que todo mundo quer saber a minha opinião sobre isso, aqui vai. (Mas já vai um aviso: estou de mau humor, hoje... me aguentem!)
Uma vez um grande amigo meu disse uma frase que achei extremamente sábia: "Quanto mais tempo a justiça demora, menos justiça se faz."
Nem precisa dizer que concordo com isso em gênero, número e grau.
A bem da verdade, não há justiça no Brasil. Há sim, punições absurdas para pequenos delitos e um protecionismo igualmente absurdo para grandes "crimes de colarinho branco".
Não é preciso muito para perceber que os papéis estão invertidos e que o cidadão de bem é sempre o grande lesado, uma vez que muito "democraticamente" se vê FORÇADO a pagar todos os cento e sei lá quantos impostos, taxas e tarifas para ver o resultado honroso de seus esforços nas vergonhosas cuecas de quem deveria representa-lo, defender seus interesses, enfim...
Como o país todo (se é que algum dia isso foi de fato um país) só fala em CPI, vamos conceituar umas coisas aqui.
Primeiro, CPI tecnicamente não é nenhum julgamento e sim uma espécie de reunião entre os parlamentares para lavar a roupa suja para depois sim, enviar os responsáveis (ou os bodes espiatórios, como preferir) à "justiça" devidamente nomeada e preparada por eles mesmos de um jeito ou de outro, embora ninguém nunca saiba exatamente como.
Segundo, CPI não é nenhum palanque, embora hajam parlamentares que insistam em ver dessa forma. Normal... Ninguém lá percebe mesmo que perguntas repetidas, acusações desnecessárias assim como protecionismo pretencioso "não dão Ibope". Aliás, o povo do Brasil já deve estar se perguntando se alguém nessas CPIs consegue mesmo perceber alguma coisa.
Pessoalmente, eu preferiria resolver essas coisas de forma bastante simples, afinal de contas a lei não deveria ser igual para todo mundo?
Em primeiro lugar nem deveria haver CPI coisa alguma... Eles são nossos empregados, oficialmente pagos com o nosso dinheiro certo? Justa causa neles! RUA! Antes de qualquer coisa!
Em segundo lugar, furto é julgado pela justiça comum certo? Desvio de dinheiro público pra mim é furto! Sinceramente, não vejo diferença alguma entre o político corrupto e o trombadinha, exceto pelo tamanho do crime que deveria ser punido proporcionalmente, mas ao invés disso, é protegido por lei.
Agora analisemos as CPIs... geralmente começam a se reunir alguns dias após a detecção das irregularidades... nesse meio-tempo, pode-se muito bem apagar rastros, destruir provas, queimar arquivos... Depois começam os intermináveis interrogatórios que mais parecem discursos de campanha... enquanto os envolvidos secretamente ficam jogando as "batatas quentes" uns para os outros até que estas se esfriem ou que sejam devidamente dissimuladas. Algumas até aparecem nesse meio-tempo, mas acaba virando purê no final das contas.
O resultado final geralmente termina com um bode espiatório julgado por juízes comprados com purê de batata e que depois acaba em alguma "prisão domiciliar" que acaba funcionando como um asilo de luxo, com mordomias, policiamento 24horas...
Olha... quer saber? Nem perco o meu tempo indo atrás de notícias relacionadas a essas coisas que já sei como terminam.
Prefiro voltar meus olhos para coisas mais preocupantes, como a instalação de uma base terrorista no paraguai por parte dos EUA, que querem tomar posse do Aquífero Guarani. Talvez explodam Itaipú numa dessas, afinal de contas, todo mundo está careca de saber que quando se quer invadir um território, você corta primeiro a água e a energia elétrica desse território... a comunicação também (que aliás, já é deles, de certa forma).
Isso está nos livros de estratégia! Qualquer bom estrategista militar sabe disso: corta-se energia, água e comunicação antes de qualquer invasão.
Aliás, o termo que o governo dos EUA prefere usar é "libertação", assim como a China já usou esse termo para invadir o Tibet (veja também o filme "Sete Anos no Tibet") e os EUA, muito "democraticamente" invadiu o Iraque com provas forjadas, passando por cima da ONU na cara dura (veja também o filme "Farenheit 11/9").
Sinceramente, eu não sei como os outros países da OTAN ainda não se encheram desses caras e continuam defendendo o território deles que aliás, só está sendo defendido pela OTAN, enquanto Bush brinca de xerife espalhando suas forças militares pelo mundo numa desesperada tentativa de impôr algum valor a uma nação endividada com uma moeda sem lastro em franca decadência e com moral internacional em baixa.
De certa forma sinto falta dos tempos da Guerra Fria... ao menos tínhamos a certeza de que se estourasse alguma guerra mundial, seríamos simplesmente vaporizados do mapa ao invés de escravizados por algum regime "democrático" de algum país que se acha alguma "raça superior"... isso não parece familiar?
Quer saber? O mundo que se exploda! Eu tô na minha! Só quero beber o meu vinhozinho aqui, em paz...
Foda-se! Não vou conseguir mudar o mundo mesmo!

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Acho que vou falar de mim hoje. Afinal, o objetivo desse blog é mostrar a ignorância da humanidade, inclusive a minha, não é?
Não pretendo repetir aqui as coisas que já estão escritas lá no meu outro site, o sempre abandonado "Picolo's Online", que carece de um update a muito tempo, mas não ligo mais para isso.
Aliás, não ligo mais para um monte de coisas que antes eram importantes para mim.
Uns dizem que eu peguei todos os meus grandes talentos e enterrei numa cova bem funda, outros, ao lerem os textos desse blog, podem me achar muito "'aspero" em minhas críticas aos caminhos atuais que a humanidade está tomando na atualidade e que certamente terão suas conseqüências no futuro.
Quem me conhece, sabe que eu não sou nenhum "revolucionário", ou coisa parecida e muito menos agressivo como pessoa, embora às vezes temos de ser fortes em nossas convicções se quisermos fazer alguma diferença. E esse é aí que mora o meu grande mal.
Já houve época em que eu acreditava que podia fazer alguma diferença; que se eu trabalhasse bastante poderia ter uma vida melhor; que se eu amasse muito alguém seria o bastante para podermos ficar juntos pelo resto de nossas vidas; que se eu fizesse coisas que ninguém mais fazia, essas coisas teriam mais valor que as coisas comuns e que se eu estudasse coisas que ninguém procurasse entender, eu teria o conhecimento ao meu favor.
Já houve época em que eu acreditava no futuro, na vida, nas pessoas, nas religiões que pratiquei... já houve época em que eu acreditava em Deus!
Hoje, tenho muita dificuldade em acreditar em qualquer coisa.
Todos os grandes projetos dos quais participei (e olha que já me meti em projetos realmente grandes), foram por água abaixo.
Tudo o que ajudei a construir, acabei perdendo, de um jeito ou de outro, feito a "casa popular" que os meus pais compraram e eu ajudei quando criança a transforma-la numa casa espaçosa, bonita e confortável, carregando blocos de concreto um a um, envernizando caibros, parafusando caixas de força... Hoje olho para a calosidade no meu polegar esquerdo, resultado daqueles trabalhos e me lembro de que tivemos de vender a casa para pagar uma dívida do irmão do meu pai e é por isso que eu jamais compro nada a prestação e não ligo quando me dizem que nunca vou ter nada na vida se não fizer dívidas.
Posso não ter muitas posses, mas tenho o orgulho de não dever nada a ninguém.
É um dos poucos orgulhos que tenho na vida.
Pode não ser lá grande coisa, mas para mim, tem muito valor.
Tenho muito orgulho das coisas que sei fazer bem feito, mas já não me importo com o quanto significam para o mundo.
Sei que já treinei algumas pessoas que estão fazendo sucesso e me orgulho disso e que nem de longe sou pago de acordo com o que vale o meu trabalho, mas não tenho mais ânimo para tentar coisas novas. Na verdade, freqüentemente me vejo como um imenso fracasso, mas se me serve de consolo, sei que não sou o único no mundo a se sentir assim.
Às vezes penso que minha missão na Terra é apenas observar, já que não consigo mesmo mudar o meu destino, o meu karma, a minha sina...
Há pessoas que afirmam que eu mudei muita coisa, mas na verdade não fui eu. O que fiz, foi só mostrar o caminho a quem tinha forças para caminhar.
Aliás, muito mais força do que tenho.
Uma vez, uma garota me puxou da cadeira para que eu dançasse com ela, porque eu me sentia como estou me sentindo hoje: insignificante diante da imensa massa de ignorância que esse mundo se tornou.
Aquele gesto, me trouxe esperanças... e mesmo essas esperanças, já se foram.
Vivo os meus dias como um observador solitário.
Deixo minhas impressões aqui nesse blog para quem quiser ler e não ligo se as pessoas têm algum interesse nisso ou não.
Não sei como se lembrarão de mim depois que o meu dia chegar... mas até lá, vou observando... fazendo a minha parte como conselheiro, confessor, amigo... é só o que eu sei fazer que parece ter algum valor real nesse mundo.
Minha formação sempre foi muito rígida no sentido de disciplina, de caráter, de ter sempre certeza das coisas... Não posso mudar o que sou, nem fazer com que o mundo à minha volta seja assim.
Por isso sou revoltado, frustrado... Puxa! Que velho chato estou me tornando!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Estou ficando irritado com a imensa enxurrada de quinquilharias digitais que a indústria não para de lançar ou de relançar como se fosse coisa nova.
O pior é que muitos desses "gadgets" não passam de brinquedinhos que só servirão para alimentar o stress nosso de cada dia com a eternizada busca de drivers pela internet que nem sempre existem para as plataformas que o usuário usa, nem compatível com a versão do sistema operacional, bem como o desespero por cabos e adaptadores para plugar a "árvore de natal" de forma que ela funcione sem que nenhum chipset conflite com outro.
Fazer toda essa tralha funcionar está se tornando um desafio cada dia maior enquanto a indústria cria necessidades muito mais psicológicas do que reais e as pessoas tendem a buscarem as novidades mais por medo subconsciente de exclusão social do que por real necessidade.
Você consegue enumerar quantos modelos novos de tocadores de MP3, de PDAs e câmeras digitais surgiram nos últimos 2 anos? E desses, quantos foram apenas "redesenhados" para se parecerem com versões "aprimoradas" do mesmo produto? (OK! Algumas dessas quinquilharias tiveram real aprimoramento, como mais memória, ou mais velocidade, mas... não tenho percebido melhoras tão significativas de um modo geral.)
Pra piorar as coisas, os telefones celulares estão cada dia mais parecidos com canivetes suíços digitais, substituindo PDAs, câmeras digitais (embora com resolução e qualidade ótica sofrível) e tocadores de MP3, fazendo com que um gadget substitua 3... e estão evoluindo rápido! A Próxima geração de celulares vem aí... com câmeras de 7 megapixels e 10GB de memória... diga-se de passagem, mais memória que muito PDA "poderoso" por aí...
Aparentemente só os computadores não estão seguindo o mesmo ritmo de evolução: continuamos rodando o lastimável Windows porque a grande maioria dos fabricantes dessa tranqueirada toda não faz drivers nem software para outras plataformas mais sólidas como o MacOS X, ou mesmo para sistemas operacionais gratuitos como as centenas de "distribuições linuxóides" por aí... aliás, tá aí o principal motivo desse tipo de sistema ficar "preso" apenas a servidores, roteadores e quando muito a sistemas para escritório... uma pena.
O usuário comum quer simplicidade (mesmo porque a grande maioria vê na operação de um mouse um dos maiores desafios ao intelecto humano, mas quer ter e usar tudo o que a mais moderna tecnologia tem a oferecer... sem ler manual algum. Aliás, sem ler coisa alguma).
Não bastassem as pragas digitais modernas (vírus, spyware, adware, "usuare"), ainda temos de lidar com os bugs de aparelhos que já nascem mortos, ou com uma vida útil muitíssimo curta, graças à imensa corrida para ter-se sempre o "mais novo"... o quê mesmo?
A meu ver, quem realmente sai ganhando com tudo isso são os fabricantes (cada dia mais omissos de responsabilidade sobre o que "despejam" no mercado), a mídia que fatura promovendo tudo isso e só. O consumidor mesmo, obtém pouco benefício, ficando mais "enrolado" em baixar drivers e softwares mais recentes ou procurar adaptar seus "gadgets" ao seu atual sistema.
Se de uma hora para outra nosso consumidor hipotético conseguisse trocar tudo o que já tem por tudo o que há de mais moderno, certamente não conseguiria integrar tudo ou no mínimo, perderia muito tempo de sua vida para conseguir... tempo suficiente para descobrir que tudo o que adquiriu tornou-se obsoleto.
E foi-se tempo, e foi-se dinheiro, e foram-se momentos preciosos de sua vida... para quê? Será que compensa?