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sábado, 19 de março de 2005

Sabe... a cerca de 3 meses eu estava absolutamente decidido a ir ao Campeonato Brasileiro de Io-iô que estará acontecendo hoje, daqui a cerca de três horas.
Mas graças à inacreditável quantidade de imprevistos da minha profissão, não poderei ir, pois não conseguirei estar lá em tempo hábil, a menos que eu não durma... e eu quero estar bem lúcido para ver um evento desses... ou não conseguirei acompanhar manobra alguma dos grandes mestres dessa arte que estarão lá, competindo. Além disso, o meu sono não está lá muito regular nos últimos tempos... segunda-feira por exemplo, cheguei no serviço às 9:30 da manhã para sair de lá só aproximadamente às 17:30 da terça-feira.
Dessa vez, pra variar graças a um "pequeno imprevisto de última hora" que me fez sair do serviço "um pouco mais tarde", deixarei de ir a um evento que acontece apenas uma vez por ano.
Assim também aconteceu com o reveillon de 1999 para 2000, em que eu não pude passar com a minha ex-namorada, bem como várias outras vezes com vários outros eventos que deixei de viver, graças à "boa-vontade" alheia de sempre chegar de última hora, no último momento com coisas urgentes para fazer como se a vida de alguém dependesse disso.
Aliás, no meu ramo de negócios, a minha "vida" é assim: pertence à profissão, que pertence ao mercado, que pertence ao capeta... ao demônio... ao belzebu mesmo!
A quem mais poderia ser?
Um mercado que só produz mentiras... que vende produtos que não existem, mostra pessoas sem rugas, espinhas, berebinhas, varizes, pés-de-galinha... empurra idéias, induz ao consumo desenfreado de produtos que destroem a saúde, poluem a Terra e cuja produção extrai e explora recursos importantes para a nossa própria sobrevivência no planeta... (só para começo de conversa entre outras coisas.)
Trabalhar no meu ramo, em outras palavras, é vender a alma ao "tinhoso"!
Você deixa de viver, de ter vida pessoal, de ir a eventos aparentemente fáceis de ir, porque tudo em sua vida tem sérias tendências a serem complicadas de última hora... sempre.
Graças a essa vida, eu não tenho direito a happy-hour de sexta-feira à noite, ou de levantar da cama de manhã e saber a que horas vou almoçar ou jantar, ou mesmo a que horas vou dormir.
Estou nisso por dinheiro... como todo mundo nesse mercado. Mas dinheiro... bom... não é exatamente o forte do meu lado do negócio.
Dá para sobreviver... e só... por enquanto.
Namoro... bom... como uma mulher suportaria conviver com um homem que leva uma vida como a minha?
Lembro-me da minha "ex" nessas horas... uma verdadeira santa que por 4 anos, jurava que entendia... que compreendia a minha vida profissional, etc., mas eu tenho certeza de que ela sofria muito com isso... por mim e por ela.
Vivo pensando nos momentos que não pudemos viver juntos e no quanto ela tentava não transparecer... não me preocupar...
Acho que está bem claro que essa vida tem me afetado muito... é impossível que não a afetava também... sei que afetou.
Fiz de tudo para que os meus problemas não chegassem a ela... até terminei o meu namoro com ela a cerca de 2 anos por julgar que seria melhor para ela... que com isso daria a ela a liberdade para ser feliz... ao menos ela.
Ainda hoje sinto sua falta, mas a libertei do inferno da minha "vida", se é que posso chamar isso de "vida"...
Não tenho esperanças de um dia te-la de volta. Considero isso infelizmente, absolutamente impossível, como venho repetindo a muitos posts... Hoje, tento me contentar em não me envolver emocionalmente com mais com ninguém... talvez no máximo, ajudar da melhor forma que eu posso a quem sinto que precisa de mim de um jeito ou de outro... e é só.
Meus relacionamentos hoje são realmente muito estranhos. Às vezes penso que opto por não tentar entender como funcionam, aceitando apenas que servem para ajudar... só isso.
Eu deveria estar me levantando da cama agora para ir ao evento em São Paulo... mas vou para a cama.
Quem sabe se... com alguma sorte, não saio mais de lá?
Se você estivesse no meu lugar, teria um bom motivo para isso?

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