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quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

Já faz um bom tempo que não posto nada nesse blog.
O motivo é simples: eu estava me sentindo muito repetitivo e sem inspiração para escrever coisas novas relacionadas à ignorância da humanidade.
Nesse meio-tempo, tenho tentado buscar experiências novas de vida, novos desafios... mas ainda me sinto pouco motivado na maioria dos desafios que me proponho a mim mesmo.
Resolvi fazer um exercício de lembranças desse período, resumindo nesse post, coisas boas desse primeiro mês do ano (que já está quase no fim), talvez para variar um pouco o assunto do meu blog, que estava parecendo uma lista negra cheia de desabafos, tristezas, denúncias e manifestos.
Acho que estou me cansando desse blog, entre outras coisas.

Io-iô

Dia 9 de janeiro (domingo, um dia antes do meu aniversário), fui a uma confraternização dos membros da Associação Brasileira de Io-iô, da qual faço parte com muito orgulho, embora eu não me considere lá um grande jogador de io-iô, mas nem me importo com isso.
O importante é que eu me sinto atuante, divulgando a milenar arte do io-iô como esporte, mostrando às gerações mais novas que existe diversão além do videogame e que é possível praticar um esporte que estimule a concentração e a disciplina, sem ser violento, nem alienante.
A confraternização foi muito gratificante para mim, que tive a oportunidade de conhecer bastante gente criativa, inteligente, divertida... inclusive alguns dos maiores campeões brasileiros (entre eles, alguns dos melhores do mundo), que apesar dos títulos, se mostraram honrosamente humildes, humanos e carismáticos. (Veja também fotos da confraternização)
Acabei aprendendo umas manobras novas e indo a outro encontro de ioiozeiros uma semana depois...

Passeio de jipe

Se não me falha a memória... (OK! Só velho é que fala isso...) foi no dia 15, sábado... fui com meu amigo Marco, passear com seu jipe, um Toyota Bandeirante, pelas cidades vizinhas, seguindo basicamente por caminhos alternativos e estradas de terra, vendo paisagens deslumbrantes e obviamente muita poeira e conversa divertida.
Deveria ter levado minha câmera... embora com o calor que estava fazendo, talvez o filme derretesse...
Quem sabe da próxima vez eu não leve a câmera e não acabe por fotografar algo incomum...
Nunca se sabe o que se pode encontrar numa estrada de terra em área rural.

Amigos

A presença dos amigos foi bastante constante em janeiro...
Almoços e jantares acompanhados de bons papos, velhos amigos perdidos de longas datas reaparecendo... despedidas de um outro amigo que foi tentar a vida em um lugar distante... e a torcida para que ele tenha sucesso e seja feliz em sua tentativa.
Os amigos são uma grande força para mim, sejam eles ou elas, fazem com que eu me sinta vivo, que eu torça por eles... gente que eu vejo o quanto se esforçam para mudarem o mundo à sua volta, tornando-o mais racional e justo... mesmo os que simplesmente tentam sobreviver... Os que procuram emprego... Os que buscam uma vida melhor, novas motivações para viver... enfim.

Esperanças

Pode parecer estranho para alguém que já não acredita em mais nada ter esperanças de ver um futuro melhor...
É muito triste ir percebendo ao longo da vida que grande parte dos valores que me foram ensinados desde criança tenham orígens em grandes mentiras e pouco a pouco, as coisas boas em que eu acreditava foram se mostrando como realmente são... em sua maior parte, contos para alienar... ou explorar...
Outros valores, não se mostraram exatamente como são, justamente por causa do incrível otimismo ingênuo da minha mãe, que sem querer, sempre me fez esperar das coisas, muito além da realidade... me fez sonhar.
Ela ainda é muito otimista... sempre... e isso me faz sempre ter muito medo de decepciona-la, como eu já me decepcionei com a vida, com a religião, com o governo, com o mundo...
Eu não tenho mais sonhos... objetivos definidos, ou grandes ambições na vida.
Conseqüencia da descoberta de que não sou eu quem faz as regras...
Eu queria ser como ela... sempre otimista... mas a ingenuidade não pode mais fazer parte da minha vida.
O mundo hoje é uma guerra... e numa guerra, não existe espaço para sonhadores.

domingo, 2 de janeiro de 2005

Tenho esperanças de conseguir superar isso... Eu acho... Bom! Na verdade, eu não sei.
Dizem que é um mal que atinge os capricornianos típicos... remoer o passado.
É estranho, mas não tenho muito controle sobre isso.
As lembranças me assombram... a todo momento, me vejo tendo recordações de momentos divertidos, agradáveis... talvez alguns desconfortáveis ou tristes, mas... eles aparecem como se tivessem sido a única coisa que vivi na vida.
Na verdade, às vezes penso que de fato tive muito poucos momentos em que eu pude realmente sentir algo de bom na vida e esses momentos se tornaram parte de mim. É a única coisa que poderei carregar comigo dessa vida... lembranças.
Tento lembrar de outras coisas boas e de fato houveram alguns momentos bons para recordar. Mas esse tempo, esse período de tempo... cerca de quatro anos em trinta e quatro, continuam em minha mente, como se representassem tudo o que realmente teve de algum valor em minha existência.
Já se passaram quase dois anos e eu ainda não consegui me conformar com o fato de que cosegui destruir tudo isso em cerca de um mês, somado a outros erros da minha parte, em sua maioria fortemente causados pelas circunstâncias, me fazendo crer que, se Deus existe, parece ter feito de tudo para que as coisas terminassem como terminaram, apesar de minhas orações.
Acho que superestimei uma força desconhecida do universo, que dizem ser capaz de tudo, de vencer quaisquer barreiras.
Dizem que Deus é amor... Bom... O amor realmente é uma força desconhecida, inexplicável... muito boa, mas muito mais destrutiva... e de propósitos absolutamente incompreensíveis.
A vida é assim... você leva a maior parte dela para encontrar um motivo para viver, aí você encontra e em um curto período de tempo, você descobre que não está preparado para viver o que desejou a vida toda, porque quase nada dá certo e por isso, você decide desistir... para passar o período posterior se arrependendo... período esse que pode se estender pelo resto da vida.
Eu mereço. Eu errei. É "bem-feito" pra mim...
Ontem, o primeiro dia de 2005, eu amanheci na casa da família de um amigo meu de longas datas, após um jantar de reveillon...
Passei a noite toda acordado, conversando, vendo filme... nada sobre o assunto desse texto de hoje, mas...
De manhã, com o sol já brilhando, comentei que desde aquele dia em que cometi o tal erro, eu só tinha visto o sol da manhã umas 4 vezes em cerca de dois anos.
Contei a ele que aquele sol, me deixava triste, porque me lembrava dos dias em que eu saía cedo de casa para ir a São Paulo, ver alguém que hoje, espero estar muito mais feliz do que eu.
A decisão que tomei... o erro que cometi, certamente o maior da minha vida até agora, foi por esse propósito.
E quem se importa?
Quero crer que ela está feliz... deve estar... eu acho... Bom! Na verdade, eu não sei.