Translate

domingo, 21 de novembro de 2004

Sinto saudades de acordar desanimado como acordei hoje, e ser chacoalhado por uma garota brincalhona dizendo "acooooordaaaaa".
É... Coisas assim fazem a diferença entre estar vivo e continuar desanimado, preso à cama pelas correntes das lembranças e pelo peso da certeza de vivenciar mais um dia sem grandes emoções.
Sinto falta de acordar com um beijo, após dormir exausto e de acaricia-la até que adormeça.
Sinto falta de momentos inesquecíveis, de risos, sorrisos, brincadeiras e coisas sérias.
De "dar uma força", de transformar lágrimas em sorrisos, de chorar junto... e assim, não me sentir sozinho.
A solidão sempre me acompanhou durante quase toda a minha vida. E graças a isso, eu nunca soube como não viver só.
Já se passou um ano e sete meses do término do meu último relacionamento e até agora, não consegui me livrar da sensação de ter cometido o maior dos erros de toda a minha vida: o de simplesmente aceitar a solidão, para dar a ela a chance de ter a felicidade que eu sentia que não podia dar a ela.
Ao invés de procura-la, prometi a mim mesmo não incomoda-la e com isso, tenho tentado me acostumar com a idéia de que eu nunca mais a verei novamente... como se isso me ajudasse em alguma coisa.
Não tenho tido êxito ao tentar esquece-la, mesmo tentando ocupar a minha mente com outras coisas, ou passando madrugada após madrugada todas as noites, conversando online com uma garota misteriosa que apesar de nunca ter se mostrado em carne e osso, ao menos me ajuda a não pensar bobagens.
Nesses últimos dezenove meses, voltei a estudar eletrônica, programação assembler, voltei a jogar io-iô, me tornei um conhecido colecionador de informações e cartuchos de Atari 2600, pesquisei sobre sociologia, li livros, reformei parte do apartamento... até em balada eu fui.
Tornei-me muito observador e observei que fiquei muito exigente, ou que passei a ver muito mais os defeitos dos comportamentos das mulheres, talvez por algum tipo de instinto de auto-defesa, sei lá.
O fato é que a cada dia que passa, sinto-me mais irritado com os comportamentos que observo e estou começando a evitar o contato.
Francamente, não vejo esperanças de derrotar essa sensação de "vazio".
Se é porque eu nunca encontrei a pessoa certa para me ajudar com isso, sinceramente, tenho minhas dúvidas.
Talvez eu devesse mandar todo mundo de vez à m... e deixar de levar a vida tão a sério, de ser tão "certinho"... Não sei. Só me dei mal com isso.

Nenhum comentário: