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quarta-feira, 27 de outubro de 2004

Não há no mundo uma criatura mais complexa e imprevisível que o ser humano.
Cada indivíduo tem seus valores, motivos e estados de espírito que podem variar extremamente de uma hora para outra, ou se desenvolvendo ao longo da vida, através de experiências, observações, trocas de idéias, ou mesmo através da simples intuição.
Pessoas que muitas vezes julgamos nossos amigos podem deixar de se-los de uma hora para outra.
Como eu disse, os valores das pessoas são diferentes e cada um entende as coisas de um jeito, à sua própria e única maneira.
Uma atitude de ser sempre educado por parte de uma pessoa nem sempre pode ser interpretado como tal por outra, certamente menos... por assim dizer... provida de bom senso, talvez até mesmo reagindo com certa agressividade. Arrogância e ignorância sempre acompanham esses indivíduos, lamentavelmente. E com isso, a humanidade não evolui: não há trocas de idéias, nem aprendizado mútuo.
Uma coisa que eu soube dos indús e que eu admiro muito: apesar da imensa diversividade religiosa da Índia, não há grandes conflitos de orígem atribuída à religião, como ocorre por exemplo nos países do Oriente-Médio.
Lá, é muito comum um indivíduo se sentir feliz a falar sobre seus valores, explicar sobre as coisas que acredita, sobre seus princípios e também são muito curiosos quanto aos valores uns dos outros... princípios de cada um, respeitados, admirados e principalmente, compreendidos.
Creio que isso, faz dos indús um povo extremamente bem-educado e acima de tudo, valioso como humanos que são.
Aqui, do outro lado do mundo, o que vale é o individualismo, o orgulho próprio... Ao contrário da Índia, aqui o que vale é a aparência das coisas... a todo e qualquer custo.
Brasileiro é um estranho tipo de pobre que ostenta... que quer parecer rico, poderoso... como se de fato fosse.
Deve ser uma forma de não se sentir tão impotente diante do fato de que sozinho, nada pode fazer para de fato ser o que deseja.
Assim, sem sentido algum, em meio à luta pela sobrevivência, apelam para a agressividade sem lógica, gratuita... muitas vezes para se mostrarem... no desespero de parecerem ser mais do que são de fato, porém, esse efeito é sempre momentâneo e fatalmente lhes traz efeitos contrários e muito mais devastadores a longo prazo.
Ninguém tem a ganhar com a ignorância. Mas a maioria da humanidade insiste em investir nela.
Não é de admirar que alguns simplesmente desistem da sociedade e passam a viver sozinhos, a buscarem cada vez mais o isolamento enquanto o resto da sociedade caminha para a total e completa demência psíquica, caos absoluto e posteriormente, a própria destruição.
Me pergunto se a humanidade ainda tem esperança de se curar desse mal.

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