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domingo, 5 de setembro de 2004

O que é a música hoje em dia? O que ela se tornou?
A arte, principal característica da música, se perdeu em nome do comercialismo e se tornou um monte de clichês apresentados como coisas novas, como grandes revoluções que mal duram seis meses como moda comercial empurrada com a barriga pela mídia (aliás, sempre comprável pelos produtores e gravadoras), como lavagem cerebral... aliás, lavagem mesmo, no pior sentido da palavra.
Hoje somos forçados a ouvir um monte lixo cacofônico, não bastasse todo o barulho do mundo moderno.
Não culpo essas gerações mais novas que consomem tudo isso, como que dependentes de alguma droga (alguns até de fato o são), mas toda uma cultura que se formou em favor do imediatismo, do "atual", ignorando toda e qualquer referência que possa dar qualquer idéia de onde os músicos possam ter buscado inspiração para as suas obras.
É a cultura da ignorância se consolidando como uma obrigação social, para a glória do capitalismo.
É claro que gosto não se discute e tem gente que realmente curte essa ou aquela música boa ou ruim, sabe-se lá por quais motivos...
Mas fora esse porém, o que de fato falta no ouvinte moderno, são referências.
A cultura musical dessas gerações mais novas é muito pobre, ditada mundialmente por dois ou três canais de TV que exibem videoclips e ditando textos de divulgação que partem das gravadoras...
Não se vê mais grandes fenômenos musicais (só citando como exemplo de referência) como o álbum "Dark Side Of The Moon" do Pink Floyd, que a mais de 30 anos não sai da lista da Billboard dos 100 álbuns mais vendidos no mundo (segundo um amigo meu que considero um verdadeiro especialista em história do rock), mesmo sem nenhuma propaganda sobre esse trabalho após o seu auge... Como explicar algo assim?
Naquela época (1973) nem se sonhava com os modernos recursos de edição e gravação de áudio, nem com os inacreditáveis recursos de composição musica existentes hoje... Interface MIDI? Ha! Só foi inventada 4 anos depois! Softwares de edição e composição? Computadores com entradas de som? Isso tudo não passava de ficção científica na época.
Os mais poderosos recursos de música eletrônica existentes na época eram alguns raríssimos (e absurdamente caros) sintetizadores analógicos como Moog e Mellotron, e órgãos eletrônicos como o Hammond (que até hoje faz grandes "mestres" em música se "derreterem" com seu timbre firme e inconfundível).
Mas não se iluda: a simplicidade significava uma eficiência criativa que simplesmente inexiste no mundo de hoje, em que os músicos mais perdem tempo procurando o que querem entre os intermináveis menus e tentativas de compatibilizar teclados e sintetizadores (hoje emulados via software), do que efetivamente se concentrando em fazer música. (Tenho uma músicas registradas, das quais eu até poderia receber uns direitos autorais se as publicasse e sei bem como funciona essa forma de composição.)
Quando comprei um teclado profissional usado de um músico com vasta experiência em estúdio certa vez, ele me disse uma das maiores verdades sobre a música: "A magia da música está no erro. Se ela fica perfeita demais, não tem expressão, não tem alma, não tem vida."
A essas bandas de sucesso de hoje, que ajoelhem-se diante dos trabalhos daqueles verdadeiros mestres da música e que rezem para aprenderem algo!

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