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segunda-feira, 16 de agosto de 2004

Sempre detestei baladas e casas noturnas... e ainda detesto, mas para não dizer que nunca estive numa balada daquelas "fortes", neste sábado eu resolvi "encarar" uma aventura digna de filmes como "Os Embalos de Sábado à Noite" (Saturday Night Fever), "Os Últimos Embalos da Disco" (The Last Days Of Disco), etc.
Eu já tive alguma experiência do gênero aqui mesmo em Campinas a muitos anos, mas nada tão intenso...
Foi a comemoração do aniversário de uma amiga minha, acostumada à vida noturna.
E só topei porque eu realmente precisava dessa experiência, ainda que fosse uma única vez na vida e acredite, não tenho a mínima pretenção de repetir esse tipo de aventura, apesar de alguns momentos muito agradáveis proporcionados pelas pessoas com quem eu fui... gente raramente humilde e sincera, embora acostumada com os "esquemas" desse "mundo" onde eu me senti absolutamente alienígena.
Uma dessas pessoas me convidou para comemorar seu aniversário no "Barcaça"... uma das incontáveis casas noturnas que se julgam "a casa noturna mais badalada de São Paulo". Isso mesmo! A história a seguir aconteceu em São Paulo, capital nacional da balada, cidade onde tudo é superlativo, inclusive as encrencas. Aliás, as falhas de estrutura de estabelecimento observadas aqui nesse post, poderiam ter sido registradas em qualquer outra dessas "casas noturnas mais badaladas de São Paulo" e duvido que seja diferente em qualquer outra delas.
Ao chegar em São Paulo, peguei o metrô e fui procurar a minha amiga... ela ainda estava se produzindo no salão de beleza, de onde fomos para sua casa... (Que guarda alguma semelhança com a bat-caverna... (Risos... Não posso falar muito não. Já morei em lugares muito semelhantes.)
Bom... aparentemente os planos deram errado e tivemos de ir até lá de metrô seguido de carona de uma amiga dessa minha amiga. Ao chegarmos, a típica fila para entrar, devidamente monitorada por seguranças, obviamente gerando um clima tenso logo na entrada. Clima esse reforçado pelo constrangimento da revista indivíduo por indivíduo, para evitar a entrada de armas no recinto.
O local, naturalmente barulhento e irritantemente apertado para a quantidade de gente, pecava claramente pela segurança... Certas coisas como aquecedores à gás muito próximos de materiais altamente inflamáveis me chamaram atenção logo que chegamos, lá pelas 21:40).
Foram reservadas duas mesas, mas lá só havia uma. Não haviam cadeiras para todos os convidados... reclamações e desentendimentos, logo de cara... aproveitei para explorar o local.
Haviam três ambientes na casa: O primeiro, onde passei a maior parte do tempo beliscando umas mandiocasfritas, bebendo água de côco (Qual é! Eu queria estar lúcido o tempo todo!) e conversando com uma amiga dessa minha amiga (uma morena lindíssima... acho que vou tentar lança-la na mídia e virar empresário dela...); o segundo que para mim pareceria um verdadeiro inferno se não fossem as "diabinhas" dançando entre luzes que não iluminavam nada, mas serviam para dar "flashes" altamente insinuantes de seus movimentos de dança e o terceiro, que não visitei, pois estava muito frio e eu não estava a fim de ficar exposto ao sereno.
Aliás, o ambiente todo era muito mal iluminado. Se não fossem as pequenas lâmpadas de óleo sobre as mesas do primeiro piso, não se enxergaria absolutamente nada (para o azar de uma mulher que sem notar, deixou a etiqueta da loja sair para fora do vestido... acho que ela pretendia devolve-lo após a balada...)
Sorte dos casais no segundo piso, em que não haviam mesas, pois no meio da balada, acabou a energia elétrica e a polícia teve de ser chamada para resolver pequenos impasses do tipo... infração do direito constitucional de ir e vir por parte da casa noturna que devido à insuficiência elétrica dos geradores para poder alimentar os guichês, não permitiu a saída das pessoas, aliás nem a entrada de pessoas era permitida, pois a casa já estava lotada. (Detalhe: nem mesmo os convidados "VIPs" podiam entrar.)
Isso aconteceu por volta de meia-noite... clima tenso, gente querendo sair pelas... chamemos de... saídas de emergência... mas os seguranças estavam atentos, aliás, deve ter sido uma noite muito tensa para eles... Vi agressões desnecessárias contra certas pessoas... e policiais fazendo anotações... (Por que nada disso me surpreendia?)
Essa minha amiga, coitada... a essa altura estava inconsolável pelo desastre de ver alguns de seus convidados do lado de fora... Pior: eles eram a nossa carona e não iriam esperar mais tempo.
OK! Após momentos de muita tensão (aliás, durante todo o período em que ficamos por lá, saímos por volta de 3:00 para efetivamente curtir o resto da noite, passeando de carro (com direito inclusive a uma espécie de racha com 5 pessoas no carro), jogando alguma conversa fora (finalmente sem termos de gritar uns com os outros devido ao barulho) e comendo cachorro quente prensado... Alívio para o estômago praticamente vazio.
Essa noite serviu bem para confirmar todas as minhas teorias a respeito desse tipo de vida noturna.
Acho que finalmente consegui entender melhor o que se passa com essas pessoas que freqüentam esses ambientes: é um vício... adrenalina... só sentem prazer sentindo emoções fortes, muito fortes. Notei que são pessoas que geralmente fumam e bebem muito e sentir emoções fortes são apenas mais um vício... que consome muito dinheiro, aliás.
Só sei que passei a sentir uma sensação muito estranha... e passei a sentir isso enquanto me preparava para voltar... algo como uma saudade muito forte que ainda sinto... Não sei... Me sinto muito diferente do que eu era até essa noite de sábado.
Se não for o fato de ter "passeado" por certas ruas de São Paulo que me trouxe certas lembranças, certamente pode ter sido o excesso de adrenalina... acho eu, afinal não estou acostumado a isso, né?
De qualquer forma, é bom estar de volta ao meu planeta.

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