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sábado, 14 de agosto de 2004

Quando se pesquisa alguma coisa sobre a cultura de uma época, busca-se datas, nomes, autores, imagens, influências... como a música, por exemplo.
Música é cultura - isso é unânime.
Atualmente vivemos uma época em que a música nunca esteve tão ao alcance das pessoas, graças a tecnologias como internet e MPEG Layer 3 (ou MPEG-3, vulgo MP3).
No entanto, a imensa maioria dos arquivos em MPEG-3 têm sua documentação interna absolutamente distorcida pela total e absoluta preguiça por parte dos caras que os criam. Esses "ripeiros" meia-boca da vida, geralmente uma molecada ignorante que definitivamente mal sabem distinguir arte de barulho puramente comercial além de não saber dar valor à obra dos autores das músicas que ouvem.
Se por um lado a divulgação das músicas se tornou muito mais simples, descobrir o verdadeiro autor, intérprete ou data da obra tornou-se um desafio graças aos dados errôneos digitados à torto ou direito nos campos dos "tags" dos MPEG-3.
Como se não bastasse, os CDDBs da vida (imensos bancos de dados sobre gravações musicais em CDs de audio) pecam pelo mesmo problema.
Ao meu ver, isso reflete o grau de ignorância que as pessoas aceitam em si próprias.
Quer colecionar músicas? Vê se ao menos coleciona direito, né?
E por falar em colecionar músicas, tenho alguns amigos audiófilos que ouvem e colecionam MPEG-3, mas abominam a qualidade do som dos mesmos, alegando que estes servem como uma referência rápida às músicas e seus autores e naturalmente como eu, abominam essa falta de cuidado com relação a preencher corretamente os campos dos MPEG-3.
Agora, falando como audiófilo... o som dos MPEG-3 têm uma qualidade inferior à dos CDs, devido à compressão de dados e muitos são "ripados" com taxas de amostragem muito baixa, prejudicando mais ainda a qualidade do som, para ganhar nos tamanhos dos arquivos.
Antes, reclamávamos (e ainda reclamamos) que os sistemas digitais não conseguem reproduzir o áudio tão bem quanto os sistemas analógicos (apesar dos ruídos, DC offsets, estalidos de carga estática... enfim, áudio analógico é para "iniciados", como costuma-se dizer), sobretudo nos agudos, menos suaves e mais ásperos, causando um terrível cansaço auditivo.
Lembro-me de passar tardes inteiras na década de 80 ouvindo LPs e fitas cassette sem a menor cerimônia e hoje não consigo ouvir música da mesma forma (mesmo que sejam as mesmas, embora gravadas digitalmente) por mais de 3 horas sem sentir uma certa irritação que me faz fugir de lugares barulhentos e ruidosos...
Por conta disso, estamos testemunhando um fenômeno no mínimo curioso: uma certa invasão dos "sebos" em busca de velhas "bolachas pretas"... hoje vendidas a preço de banana...
Mas o fato é que o áudio digital veio para ficar. É prático, simples e barato... muito barato.
Aquela minúscia, aquele cuidado com preciosos e sofisticados equipamentos estão dando lugar a tocadores de MPEG-3 que se compra em camelôs.
Os equipamentos de som, antes verdadeiras obras de arte da engenharia de áudio, verdadeiras referências da tecnologia eletrônica analógica, hoje não passam de meia dúzia de chips ligados a circuitos básicos de amplificadores, descarregando o sinal em um sem-número de alto-falantes montados em caixas plásticas ressonantes, que mais vibram por todos os lados do que projetam o som para a sua frente.
Os chamados "sistemas surround", são uma excelente desculpa dos fabricantes para não deixarem de faturar com áudio como faturavam antes com licenciamento de tecnologias de redução de ruído, compensação de sistemas de mídia, etc. Hoje, há dezenas de sistemas como esse, cada um oferecendo pseudo-canais adicionais de áudio com seus "múltiplos processadores de sinal", mas a fonte continua sendo dois canais de áudio: esquerdo e direito.
Atualmente esse caos, está se extendendo ao vídeo... cada dia surgem mais e mais tocadores, incompatíveis com os novos CODECS e formatos digitais que se multiplicam feito bactérias, oferecendo cada dia menos possibilidades de edição devido à perda de qualidade de imagem a cada recompressão...
Me pergunto se essa infinidade de arquivos que temos armazenados em nossos HDs poderão ser pelo menos visualizados daqui a uns vinte anos de modo que possamos ao menos entender as imagens...

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