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sexta-feira, 27 de agosto de 2004

Não é fácil encontrar algum bom assunto para escrever num blog, sem ficar repetitivo.
Fico imaginando as dificuldades que um cronista deve ter para escrever no mínimo uma boa crônica por dia e ainda arrumar jeito de escrever livros... Esses caras para mim são os verdadeiros heróis da Literatura brasileira, não certos "imortais" que ostentam títulos graças a seus contatos, e poderes de influência.
Grandes escritores de verdade, ganham admiração por seus pontos de vista muitas vezes até óbvios... tão óbvios que nós, simples leitores nem nos tocamos, graças às pressões que do dia-a-dia nos impõe...
Imagino que esses gênios precisem frequentemente, buscar inspiração em outros lugares... como este blog, por exemplo.
Curiosamente, já vi algumas coincidências muito legais entre algumas das minhas observações e algumas crônicas publicadas algum tempo depois... não me importo com isso. Aliás, acho muito bom e me sinto honrado em ser tratado como uma dessas fontes de inspiração de escritores consagrados, que admiro muito e que, se quiserem, eu ficaria muito feliz em "trocar umas idéias", mesmo que por e-mail. (Se você fôr algum escritor como Luís Fernando Veríssimo, por favor, me escreva! Eu responderei com prazer!)
Muitas das minhas observações aqui do meu blog eu tirei das notícias... mas cansei delas, pois estava ficando muito irritado.
Hoje, busco minha inspiração em experiências de vida, atuais ou passadas... tentando entender como as pessoas costumam pensar ou agir e concluí que o ser humano é um ser absolutamente ilógico, com raríssimas excessões.
Muitas vezes nos pegamos agindo muito mais pela paixão do que pela razão... nos apegando a idéias como verdades absolutas... coisas como religião ou partido político, ou torcida de futebol.
Sem dúvida alguma, o ser humano é facilmente influenciável pela maioria, que é facilmente influenciável, se a maioria tem seus valores provindos do mesmo lugar... assim funciona a chave do que chamamos "controle de massa", em que milhares assumem as mesmas idéias e princípios, baseados na "maioria", que vê os mesmos programas de TV, ou os mesmos noticiários.
Agora, a "moda" são as comunidades virtuais como o Orkut, por exemplo.
A cerca de duas semanas só vejo gente falando sobre isso.
O lado bom, é que de repente, pode-se ter notícias de amigos que já se julgava perdidos no tempo. A má, é que todos os seus dados, hoje "públicos" de repente poderão ser usados contra você amanhã, porque hoje, os valores do Poder são uns. Amanhã, quais serão?
O que hoje é perfeitamente permitido, amanhã poderá ser punido como crime.
Já vimos isso várias vezes na História... Revolução Chinesa, Revolução Russa, Nazismo, Império Romano...
O "controle do pensamento" é um sonho antigo dos Governos. Hoje, uma realidade.
Qual será o pesadelo de amanhã?

sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Já me disseram que eu disperdiço a minha vida.
A verdade é que eu nem sei mais se eu tenho uma vida para viver.
A muito tempo, é como se as minhas emoções fossem um bolo que tivesse sido levado de mim, e tivessem sobrado apenas migalhas...
É bem verdade que a solidão só agrava as coisas, então tenho procurado companhia, nem que seja apenas para conversar e não pensar no passado, mas às vezes isso é inútil. Como essa noite, por exemplo, em que eu não estava conseguindo dormir.
Tudo bem que eu esteja ficando madrugada após madrugada acordado e dormindo mesmo, só no período da manhã, mas dessa vez, a insônia foi mais forte.
Devo ter conseguido efetivamente "apagar" só lá pelas 6:40... para ter um pesadelo com a minha "ex"...
Sei que preciso vencer isso, mas o que fazer?
Uma psicóloga diz que essas coisas levam normalmente uns dois anos para serem superados, mas sinceramente, guardo seqüelas que vão muito além disso.
Seqüelas que se mostraram claramente através do pesadelo, do qual não me lembro dos detalhes, mas reflete bem a minha posição com relação aos fatos.
No pesadelo, eu agia feito um "fantasma" na vida dela, já em reconstrução... ficando ali, apenas observando, sem conseguir encontrar uma solução... um jeito de tentar dizer a ela o que eu sentia, sem prejudica-la mais do que a prejudiquei.
No pesadelo, eu era uma "sombra", pois ninguém me via, mas era como se ela pudesse me "sentir".
Em determinado momento, ela se se voltou para mim se afogando em prantos, com um nervosismo incontrolável, como que me forçando a dizer a ela o que ela já sabia.
Eu, sem saber como consola-la em seus prantos... enfim, me senti novamente como da última vez que a vi, acordado com o toque do telefone no meu quarto... que só tocou uma vez, me perturbando ainda mais...
Quem dera fosse ela!
Quem dera ela ainda me amasse como dizia tantas vezes... que me quisesse, mesmo com todos os meus defeitos que a irritavam tanto...
E principalmente, quem dera ela pudesse sentir, acreditar no que palavra alguma poderia traduzir... algo que para mim hoje, significa um passado de quatro dos melhores anos da minha vida, que se foram para sempre.
Tomara que ela esteja tendo mais sorte do que eu com relação a isso.

segunda-feira, 16 de agosto de 2004

Sempre detestei baladas e casas noturnas... e ainda detesto, mas para não dizer que nunca estive numa balada daquelas "fortes", neste sábado eu resolvi "encarar" uma aventura digna de filmes como "Os Embalos de Sábado à Noite" (Saturday Night Fever), "Os Últimos Embalos da Disco" (The Last Days Of Disco), etc.
Eu já tive alguma experiência do gênero aqui mesmo em Campinas a muitos anos, mas nada tão intenso...
Foi a comemoração do aniversário de uma amiga minha, acostumada à vida noturna.
E só topei porque eu realmente precisava dessa experiência, ainda que fosse uma única vez na vida e acredite, não tenho a mínima pretenção de repetir esse tipo de aventura, apesar de alguns momentos muito agradáveis proporcionados pelas pessoas com quem eu fui... gente raramente humilde e sincera, embora acostumada com os "esquemas" desse "mundo" onde eu me senti absolutamente alienígena.
Uma dessas pessoas me convidou para comemorar seu aniversário no "Barcaça"... uma das incontáveis casas noturnas que se julgam "a casa noturna mais badalada de São Paulo". Isso mesmo! A história a seguir aconteceu em São Paulo, capital nacional da balada, cidade onde tudo é superlativo, inclusive as encrencas. Aliás, as falhas de estrutura de estabelecimento observadas aqui nesse post, poderiam ter sido registradas em qualquer outra dessas "casas noturnas mais badaladas de São Paulo" e duvido que seja diferente em qualquer outra delas.
Ao chegar em São Paulo, peguei o metrô e fui procurar a minha amiga... ela ainda estava se produzindo no salão de beleza, de onde fomos para sua casa... (Que guarda alguma semelhança com a bat-caverna... (Risos... Não posso falar muito não. Já morei em lugares muito semelhantes.)
Bom... aparentemente os planos deram errado e tivemos de ir até lá de metrô seguido de carona de uma amiga dessa minha amiga. Ao chegarmos, a típica fila para entrar, devidamente monitorada por seguranças, obviamente gerando um clima tenso logo na entrada. Clima esse reforçado pelo constrangimento da revista indivíduo por indivíduo, para evitar a entrada de armas no recinto.
O local, naturalmente barulhento e irritantemente apertado para a quantidade de gente, pecava claramente pela segurança... Certas coisas como aquecedores à gás muito próximos de materiais altamente inflamáveis me chamaram atenção logo que chegamos, lá pelas 21:40).
Foram reservadas duas mesas, mas lá só havia uma. Não haviam cadeiras para todos os convidados... reclamações e desentendimentos, logo de cara... aproveitei para explorar o local.
Haviam três ambientes na casa: O primeiro, onde passei a maior parte do tempo beliscando umas mandiocasfritas, bebendo água de côco (Qual é! Eu queria estar lúcido o tempo todo!) e conversando com uma amiga dessa minha amiga (uma morena lindíssima... acho que vou tentar lança-la na mídia e virar empresário dela...); o segundo que para mim pareceria um verdadeiro inferno se não fossem as "diabinhas" dançando entre luzes que não iluminavam nada, mas serviam para dar "flashes" altamente insinuantes de seus movimentos de dança e o terceiro, que não visitei, pois estava muito frio e eu não estava a fim de ficar exposto ao sereno.
Aliás, o ambiente todo era muito mal iluminado. Se não fossem as pequenas lâmpadas de óleo sobre as mesas do primeiro piso, não se enxergaria absolutamente nada (para o azar de uma mulher que sem notar, deixou a etiqueta da loja sair para fora do vestido... acho que ela pretendia devolve-lo após a balada...)
Sorte dos casais no segundo piso, em que não haviam mesas, pois no meio da balada, acabou a energia elétrica e a polícia teve de ser chamada para resolver pequenos impasses do tipo... infração do direito constitucional de ir e vir por parte da casa noturna que devido à insuficiência elétrica dos geradores para poder alimentar os guichês, não permitiu a saída das pessoas, aliás nem a entrada de pessoas era permitida, pois a casa já estava lotada. (Detalhe: nem mesmo os convidados "VIPs" podiam entrar.)
Isso aconteceu por volta de meia-noite... clima tenso, gente querendo sair pelas... chamemos de... saídas de emergência... mas os seguranças estavam atentos, aliás, deve ter sido uma noite muito tensa para eles... Vi agressões desnecessárias contra certas pessoas... e policiais fazendo anotações... (Por que nada disso me surpreendia?)
Essa minha amiga, coitada... a essa altura estava inconsolável pelo desastre de ver alguns de seus convidados do lado de fora... Pior: eles eram a nossa carona e não iriam esperar mais tempo.
OK! Após momentos de muita tensão (aliás, durante todo o período em que ficamos por lá, saímos por volta de 3:00 para efetivamente curtir o resto da noite, passeando de carro (com direito inclusive a uma espécie de racha com 5 pessoas no carro), jogando alguma conversa fora (finalmente sem termos de gritar uns com os outros devido ao barulho) e comendo cachorro quente prensado... Alívio para o estômago praticamente vazio.
Essa noite serviu bem para confirmar todas as minhas teorias a respeito desse tipo de vida noturna.
Acho que finalmente consegui entender melhor o que se passa com essas pessoas que freqüentam esses ambientes: é um vício... adrenalina... só sentem prazer sentindo emoções fortes, muito fortes. Notei que são pessoas que geralmente fumam e bebem muito e sentir emoções fortes são apenas mais um vício... que consome muito dinheiro, aliás.
Só sei que passei a sentir uma sensação muito estranha... e passei a sentir isso enquanto me preparava para voltar... algo como uma saudade muito forte que ainda sinto... Não sei... Me sinto muito diferente do que eu era até essa noite de sábado.
Se não for o fato de ter "passeado" por certas ruas de São Paulo que me trouxe certas lembranças, certamente pode ter sido o excesso de adrenalina... acho eu, afinal não estou acostumado a isso, né?
De qualquer forma, é bom estar de volta ao meu planeta.

sábado, 14 de agosto de 2004

Quando se pesquisa alguma coisa sobre a cultura de uma época, busca-se datas, nomes, autores, imagens, influências... como a música, por exemplo.
Música é cultura - isso é unânime.
Atualmente vivemos uma época em que a música nunca esteve tão ao alcance das pessoas, graças a tecnologias como internet e MPEG Layer 3 (ou MPEG-3, vulgo MP3).
No entanto, a imensa maioria dos arquivos em MPEG-3 têm sua documentação interna absolutamente distorcida pela total e absoluta preguiça por parte dos caras que os criam. Esses "ripeiros" meia-boca da vida, geralmente uma molecada ignorante que definitivamente mal sabem distinguir arte de barulho puramente comercial além de não saber dar valor à obra dos autores das músicas que ouvem.
Se por um lado a divulgação das músicas se tornou muito mais simples, descobrir o verdadeiro autor, intérprete ou data da obra tornou-se um desafio graças aos dados errôneos digitados à torto ou direito nos campos dos "tags" dos MPEG-3.
Como se não bastasse, os CDDBs da vida (imensos bancos de dados sobre gravações musicais em CDs de audio) pecam pelo mesmo problema.
Ao meu ver, isso reflete o grau de ignorância que as pessoas aceitam em si próprias.
Quer colecionar músicas? Vê se ao menos coleciona direito, né?
E por falar em colecionar músicas, tenho alguns amigos audiófilos que ouvem e colecionam MPEG-3, mas abominam a qualidade do som dos mesmos, alegando que estes servem como uma referência rápida às músicas e seus autores e naturalmente como eu, abominam essa falta de cuidado com relação a preencher corretamente os campos dos MPEG-3.
Agora, falando como audiófilo... o som dos MPEG-3 têm uma qualidade inferior à dos CDs, devido à compressão de dados e muitos são "ripados" com taxas de amostragem muito baixa, prejudicando mais ainda a qualidade do som, para ganhar nos tamanhos dos arquivos.
Antes, reclamávamos (e ainda reclamamos) que os sistemas digitais não conseguem reproduzir o áudio tão bem quanto os sistemas analógicos (apesar dos ruídos, DC offsets, estalidos de carga estática... enfim, áudio analógico é para "iniciados", como costuma-se dizer), sobretudo nos agudos, menos suaves e mais ásperos, causando um terrível cansaço auditivo.
Lembro-me de passar tardes inteiras na década de 80 ouvindo LPs e fitas cassette sem a menor cerimônia e hoje não consigo ouvir música da mesma forma (mesmo que sejam as mesmas, embora gravadas digitalmente) por mais de 3 horas sem sentir uma certa irritação que me faz fugir de lugares barulhentos e ruidosos...
Por conta disso, estamos testemunhando um fenômeno no mínimo curioso: uma certa invasão dos "sebos" em busca de velhas "bolachas pretas"... hoje vendidas a preço de banana...
Mas o fato é que o áudio digital veio para ficar. É prático, simples e barato... muito barato.
Aquela minúscia, aquele cuidado com preciosos e sofisticados equipamentos estão dando lugar a tocadores de MPEG-3 que se compra em camelôs.
Os equipamentos de som, antes verdadeiras obras de arte da engenharia de áudio, verdadeiras referências da tecnologia eletrônica analógica, hoje não passam de meia dúzia de chips ligados a circuitos básicos de amplificadores, descarregando o sinal em um sem-número de alto-falantes montados em caixas plásticas ressonantes, que mais vibram por todos os lados do que projetam o som para a sua frente.
Os chamados "sistemas surround", são uma excelente desculpa dos fabricantes para não deixarem de faturar com áudio como faturavam antes com licenciamento de tecnologias de redução de ruído, compensação de sistemas de mídia, etc. Hoje, há dezenas de sistemas como esse, cada um oferecendo pseudo-canais adicionais de áudio com seus "múltiplos processadores de sinal", mas a fonte continua sendo dois canais de áudio: esquerdo e direito.
Atualmente esse caos, está se extendendo ao vídeo... cada dia surgem mais e mais tocadores, incompatíveis com os novos CODECS e formatos digitais que se multiplicam feito bactérias, oferecendo cada dia menos possibilidades de edição devido à perda de qualidade de imagem a cada recompressão...
Me pergunto se essa infinidade de arquivos que temos armazenados em nossos HDs poderão ser pelo menos visualizados daqui a uns vinte anos de modo que possamos ao menos entender as imagens...

quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Coisas muito estranhas acontecem dia a dia...
Hoje, recebi um e-mail entitulado "Amor", de um emissário identificado como "Amor".
Rastreei o e-mail até encontrar um servidor de suporte de um provedor gratuito. Aparentemente quem o enviou deve ter utilizado um daqueles sistemas de envio de e-mails anônimos.
Para aumentar o mistério, o envio foi feito para um endereço de e-mail muito antigo, embora do mesmo provedor, que mudou de nome e dono duas vezes depois daquela época...redirecionado automaticamente para o meu endereço atual.
O conteúdo, apenas uma frase, que mais tarde, descobri ser de Mahatma Gandhi: "Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos."
Certamente não foi Mahatma Gandhi quem me enviou este e-mail, mas seja lá quem for, a frase omite os covardes, como se os covardes não amassem, ou não pudessem amar.
Aliás, é preciso muita coragem para assumir a própria covardia. E muita consciência para entender que covardia e coragem são apenas estados de espírito.
Se um dia você declarar o seu amor a alguém e esse alguém não acreditar em você, ainda que você tenha toda a coragem do mundo, terá perdido seu tempo além de se sentir tão insignificante e desprezado(a) que dificilmente terá coragem para isso outra vez. Principalmente se você tiver certeza de que trata-se do amor da sua vida.
Nesse caso, você não acreditará em mais nada, sua vida não terá mais motivação alguma e poderá ser apenas questão de tempo para seu que seu estado de espírito mude da coragem para enfrentar essa derrota à covardia que o(a) leva ao seu próprio fim.
Gente assim é fácil de identificar: se isola com facilidade, se dedica a coisas aparentemente sem sentido algum, lutam para fazerem só o que gostam ainda que isso não lhes dê lucro ou status algum... tudo no desespero de se sentirem vivos, pois no fundo, se sentem como puros zumbis, condenados a vagarem pelo mundo até o dia de sua morte.
Nesse desespero, alguns mudam conceitos, descobrem coisas novas e até conseguem certa notoriedade pelos seus feitos, mas a grande maioria morre na obscuridade... e basta uma leve mudança no estado de espírito... causada pela simples falta de um sorriso, pela falta de sonhos em que ainda acredite um dia poder realizar, ou por não sentir mais que se faz bem a alguém.
Muitos deram suas vidas para que a humanidade percebesse sua função na Terra, mas a humanidade nunca a percebeu de fato.
Milhares de mentes brilhantes na Terra já terminaram assim, pois para a humanidade, não passam de "loucos", "estranhos", "foras do esquema"... mas esses são os heróis que mudam o mundo.
São os que têm coragem de contrariar toda a humanidade, ainda que não tenham forças para expressar seus sentimentos como gostariam... e morrem assim.