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domingo, 16 de maio de 2004

Muita gente já me disse que o que eu preciso é me olhar num espelho.
Enquanto alguns me julgam um gênio, eu só consigo me ver como um imenso fracassado.
Apesar de esta semana mesmo um rapaz ter me dito que perguntou para umas dez pessoas sobre uma determinada tecnologia e todos terem me indicado, o fato é que eu não me sinto nada especial.
Fora a minha mãe, me pergunto se há pessoas que se importam realmente comigo.
O meu próprio nome (Claudio Henrique Picolo) já diz tudo: Claudio=coxo manco, que manca; Henrique=príncipe; Picolo (O correto em italiano seria Piccolo) = pequeno. Logo, o conjunto seria "pequeno príncipe que dá mancada".
E mancada é o termo que descreve bem a minha vida toda: Só dei mancada na vida.
Dei mancada atrás de mancada, desde a escolha da minha profissão (que me consumiu mais da metade da minha vida até agora para que eu não conseguisse construir absolutamente nada significativo na minha vida) e até no tempo em que me dediquei a uma grande esperança... 4 anos em que acreditei ter finalmente encontrado alguém que se importava comigo.
Hoje, passado cerca de um ano, estranhos "recados" do Universo me fazem concluir que além de ter de me esquecer de momentos ruins, terei de me esquecer de momentos bons também, para que eu possa "arriscar" viver alguma coisa... Nisso, lá se vai mais uma parte de mim, como se já não tivesse "enterrado" o suficiente.
Nesse campo, minhas esperanças ficam depositadas num futuro incerto, cuja condição é simples: ou acredito nisso, ou não fará sentido algum acreditar em mais nada.
O pior, é que temo novamente dar mancada... como sempre, aliás. O pior é que eu tenho uma certeza tão grande disso que isso me assusta.
Às vezes acho que eu deveria dar mancadas de propósito algumas vezes, só para que eu possa me sentir punido pelas circunstancias ao menos com um pouco de justiça, para variar...
Justiça aliás, é o que menos observo ao longo da minha vida. Me questiono se Deus é tão justo quanto pregam ardorosamente nos textos canônicos...
Eu olho à minha volta e nada parece fazer sentido... A ignorância e o caos dominam completamente a consciência das pessoas e o que eu vejo hoje é um mundo completamente "vazio", sem nada que possa realmente parecer interessante para mim.
Sinto-me um ser completamente "deslocado" desse mundo, como se eu não passasse de um observador invisível, capaz de ver através dos olhares, ou das "verdades" que nos são apresentadas todos os dias, mas que nada pudesse fazer para mudar essas coisas.
Caminho por lugares cheios de gente e observo de longe olhares maldosos das jovens fofoqueiras, casais interesseiros, "tribos" alienadas e crianças sem inocência no olhar, entre outras coisas.
Todos alheios, passando uns pelos outros sem sequer se olharem, ou se se olham, com olhares desconfiados ou maledicentes... todos parecendo (ou se passando por) seguros de si, como se fossem os "donos do mundo".
Abomino o ato de parecer-se com o que não se é, mas observo que as pessoas freqüentemente se utilizam desses artifícios, seja através das atitudes, das conversas, ou das roupas que usam.
Aliás, aparência parece funcionar como uma linha divisória entre as pessoas que terão sucesso ou fracasso na vida. Pena o mundo em que vivemos ser feito de tanta mentira. Mas foi condicionado assim.
Não sou eu quem falo uma coisa e faço outra. Não sou eu quem julga os livros pelas capas.
Se faço papel de idiota, talvez é porque eu seja um. Se alguém se importa com o que um idiota escreve num blog talvez seja tão idiota quanto eu.
Quer saber? Dane-se!
Nado contra a maré, sou um fracassado, mas ao menos sou eu mesmo.
Gênio? Louco? Quem se importa afinal?
Em tempo: quando eu morrer, por favor, joguem as minhas cinzas no oceano, onde muitos grandes pioneiros terminaram. Não quero ficar abandonado num canto, como o fui durante toda a vida.

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