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sábado, 10 de abril de 2004

Hoje decidi dar uma pausa e falar de mim um pouco...
Dentre as coisas que mais me marcaram na vida, nada me marcou mais do que o profundo desejo de alguém para que eu vivesse mais do que ela.
E ela me disse esse desejo, porque por algum motivo, eu sentia que não viveria muito tempo.
De fato, já não sinto mais a minha vida como sentia.
Dia após dia, tenho me perguntado se ainda estou vivo.
Saudade? Com certeza. Mas é um preço que tenho de pagar.
Dizem que um amor perdido é uma doença que se cura com um novo amor.
Não sei. Eu já amei muito. Demais, eu diria.
Tive três ex-namoradas e uma paixão destrutiva, que acabaram por fazer de mim um homem que tem medo de amar. Ou seja, um fracasso absoluto na vida amorosa.
Talvez por isso mesmo eu mantenha esse blog mal-humorado, com ares saudosistas.
Sabe aquele papo que diz que se você tem azar no jogo tem sorte no amor? Se a teoria fosse verdadeira, a recíproca também seria.
Mas eu não jogo nada direito a não ser io-iô (que não dá dinheiro algum, por isso, não adianta se iludir...) e nunca ganhei na loteria (os únicos jogos de azar permitidos no Brasil são controlados pela máfia local, ou seja, o Governo do Brasil e a bandidagem... que no fundo acaba sendo a mesma coisa).
Parece que a única coisa que sei fazer direito é mexer com computadores. E cá entre nós, isso não parece muito animador quando todo mundo diz mexer com isso graças às "escolas de informática", que aceitam qualquer aluno para qualquer curso, sem o menor critério quanto aos pré-requisitos, resultando em batalhões de responsáveis pela existência dos Postulados de Picolo. (Ao menos tá aí algo que tende a se perpetuar para a história da humanidade...)
Culpa dessas "escolas"? Em parte sim. O fato é que ou elas fazem isso, ou não sobrevivem (como aliás nenhuma instituição capitalista do "país") perante ao absurdo sistema econômico-tributário brasileiro, cuja carga é a maior do mundo e com retorno insignificante a ponto de o "contribuinte" sempre ter de providenciar pelos seus próprios meios coisas que o Estado promete fazer com o dinheiro do mesmo.
Aliás, a informática de hoje se tornou uma Torre de Babel, cheia de máquinas cada dia mais poderosas, cada dia mais frágeis, cada dia mais consumistas e que não há mais sistema operacional que se preste para rodar a incalculável quantidade de formatos de arquivos e mídias digitais que se criou e se cria a cada dia (e que podem até estar bisbilhotando a vida do usuário sem ele saber).
O futuro num cenário desses não é dos mais animadores.
As conversas com os amigos passam a parecer repetitivas, pela falta de coisas novas para conversar, porque nada mais se produz de novo e freqüentemente tenho impressão de que todo mundo busca desabafar cada dia mais... (O que indica que não sou só eu que estou descontente com o mundo em que vivo.)
Ao observar as pessoas pelos locais públicos sempre observo um vazio muito grande em olhares preocupados, aglomerados de pessoas buscando distrair e comemorações feitas meramente por questões sociais... Porque no fundo, não há o que comemorar.
O que observo é o caos se formando... um mundo cada dia mais burocrático, confuso, perdido entre papéis, obrigações supérfluas, perigos novos dos novos tempos, medo, incertezas, incompatibilidades...
É cada vez maior o desafio de manter a serenidade sem se tornar louco, ou o juízo perante as necessidades.
Ao meu ver, a humanidade não pode continuar seguindo esse ritmo, ou caminhará para a própria destruição, o que parece inevitável.
O sistema capitalista como conhecemos, responsável por tudo isso um dia implodirá, pois não haverá quem comprar o volume de produção, porque o capital do mundo não se distribui da mesma forma que a cultura do consumo ilógico e predatório, que já começa a comprometer os recursos da nossa única nave espacial chamada Terra.
Quisera eu poder oferecer conforto e segurança a um grande amor... O melhor que pude fazer, foi oferecer uma chance melhor de sobrevivência.
Mais de uma vez, a felicidade de quem amei, custou a minha própria.
Me pergunto o que eu vou viver agora. Talvez eu tenha uma chance de começar tudo de novo. Uma vida completamente nova... Sei lá.
Ainda tenho esperanças de renascer como pessoa e mesmo, de amar de novo... mas para viver em que mundo?

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