Translate

sábado, 11 de outubro de 2003

As pessoas muitas vezes me elogiam pelo meu trabalho, classificando-o como detalhado, caprichoso, etc.
Isso sem dúvida, é uma massagem no ego, mas não paga minhas contas.
Na verdade, eu sou um grande frustrado.
Tenho até um colega no serviço, que já me conhece a muito tempo e que costuma se referir a mim como "the unhappy man behind the image" ("o homem infeliz por trás da imagem").
Quando eu comecei a estudar tecnologias de computação gráfica, nem se falava nisso no Brasil. Não haviam cursos de computação gráfica e os computadores "gráficos" mais poderosos conseguiam imagens de no máximo 320x240 pixels com 16 cores. (E os mais comuns, quando não eram monocromáticos, ou seja, preto e branco, ãmbar ou outra cor de fósforo que o monitor tivesse e a resolução máxima mal chegava a uns 255x191 pixels).
Nessa época, eu via a oportunidade de me especializar e ser um pioneiro numa área antes de todo mundo... e fui. Mas só consegui entrar no mercado muito tarde, porque ou as pessoas nem sabiam do que se tratava, ou não queriam pagar os custos da nova tecnologia.
Eu deveria ter feito algo ligado à odontologia, medicina ou advocacia ao invés de me dedicar a alguma coisa que eu gosto...
O "patrão" vive me sugerindo fazer uns cursos para que eu volte a trabalhar no setor de multimedia... Ha! Como se eu já não soubesse que esse mercado não compensa para quem produz... Já trabalhei com essas coisas e multimedia não é feita através de uma única pessoa e sim através de uma equipe de produção, com cada indivíduo altamente especializado em cada área...
Esse mercado é uma enorme arapuca, onde tudo parece fácil a quem não faz parte da produção e muitas vezes, os caminhos para se chegar aos resultados não são exatamente o que poderiam ser camados de "ideais"...
Dizem que quando se chega à época em que um profissional começa a dar aulas, está no final da carreira. Eu estou me preparando para dar umas aulas...
Concluí que lutei muito pra não viver nada.
Se eu estudasse algo como História, Filosofia ou Teologia... não mudaria nada.
Minha vida escorregou entre os dedos das minhas mãos e agora, quero viver, mas não tenho o meu pé-de-meia feito, nem faço outra coisa tão bem profissionalmente...
Eu queria largar tudo isso de vez! Nunca mais mexer com computador!
Mas aí... eu viraria o quê? Um eremita?
Hummm... poderia ser massagista! Certamente ganharia melhor do que ganho hoje...

Nenhum comentário: