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quarta-feira, 24 de setembro de 2003

Alguma vez você evitou jantar ou almoçar em uma praça de alimentação de algum shopping center por causa da música "ao vivo"?
Francamente! Praça de alimentação não é nenhum salão de carnaval!
Eu sou um defensor ferrenho da música ao vivo, porque gera empregos, revela talentos e valoriza a arte musical. Mas cá entre nós... Que arte há num super-batalhão de teclados e módulos de som sequenciados automaticamente via MIDI?
Okay! Pra compôr o arquivo MIDI não é nada fácil e exige realmente um conhecimento musical e tanto, além de um conhecimento bastante profundo de toda a parafernalha a ser seqüenciada, mas... alguma vez você viu algum desses "músicos" rodar alguma composição própria no sequenciador?
Na imensa maioria das vezes, tratam-se de arquivos baixados da internet, ou comprados em alguma loja de instrumentos musicais... E agora o pior: quando não se trata de alguma MPB (Música pra Pular Brasileira), trata-se de algum clássico do pop internacional que o "intérprete" canta com um "degolês" misturado com "portunhol" que dói profundamente aos ouvidos de um expectador um pouco mais exigente que o pessoal "nem aí".
E por falar em doer nos ouvidos, o volume do som também é um fator importante a ser levado em consideração.
Me lembro claramente da maravilhosa qualidade de som de uma apresentação dos músicos do "Exército Vermelho" da antiga União Soviética que vi certa vez, ao ar livre aqui no Brasil: Você podia ouvir todo o espectro do som audível claramente de qualquer lugar das arquibancadas e sem nenhum excesso de volume... Não se ouvia nenhum alto-falante rangendo por overload, fato bastante comum nas apresentações ao ar livre aqui no Brasil, devido à terrível mania que os brasileiros têm de não consultar um profissional especializado, como os russos certamente fizeram na instalação dos equipamentos. (E sou capaz de apostar que usaram bem menos equipamento e potência do que teriam usado se fossem instalar tudo simplesmente no "olhômetro", como qualquer brasileiro comum faria).
Muitas praças de alimentação de shopping centers sofrem de um mal crônico de ressonância, somada à disposição indiscriminada dos alto-falantes, multiplicada pelo excesso de volume dos amplificadores, menos um mínimo de bom senso, bem como um pouco de boa vontade.
Enquanto isso, tem engenheiros de som procurando trabalho e empresas especializadas em revestimentos absorventes de som sem um mercado para vender.
Os italianos têm uma frase boa para resumir essas coisas: "Porca miseria!"

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