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segunda-feira, 9 de junho de 2003

Se os vampiros existem, então eu sou um deles.
Não me alimento de sangue como os vampiros do cinema ou do romance de Bram Stoker, mas troquei o dia pela noite, evito sair no período da manhã e às vezes, me pego vagando pela casa toda apagada, feito um fantasma, um zumbi, ou um morto-vivo.
Tenho muito poucos amigos, gosto de roupas escuras e ando me sentindo cada dia menos humano.
Só que eu não sou um monstro, demônio ou amigo do diabo.
Eu não passo de um homem carente, frustrado e cansado, muito cansado.
Cansei de acreditar nas coisas, de lutar para alcançar ideais lúdicos (ou de não alcançar nada), de observar e aprender tanto sobre as coisas, a ponto de meus pontos de vista baterem tanto de frente com o que é apresentado à maioria das pessoas como verdades absolutas e necessidades sociais básicas, que acabei me tornando "anti-social".
Muito pouca gente no mundo têm pontos de vista semelhantes aos meus e observam as mesmas coisas.
Para mim, fica cada dia mais fácil entender a vida dos heremitas que desistem da sociedade...
Sou um filho-único... Mimado e protegido demais, como provavelmente a maioria dos filhos-únicos do mundo. Por isso mesmo, estou vivendo sozinho... para aprender a me virar e agir de forma mais independente. (Aliás, como alguém muito especial para mim sempre quis que eu fosse.)
Nessa semana que passou, algo inesperado aconteceu. Uma frase num biscoito da sorte me lembrou de que neste mundo, ninguém é uma "ilha", logo independência total pode ser uma utopia: "É sempre mais fácil para alguém resolver o problema do outro."
No ocidente, há um provérbio equivalente: "Uma mão lava a outra."
Deixa eu ver se entendi... Eu luto por independência enquanto o resto do mundo tenta ser como eu? É isso?

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