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terça-feira, 20 de maio de 2003

Senhoras e senhores, desculpem-me, mas preciso usar um vocabulário chulo no meu post de hoje.
Eu luto todo o santo dia para que as pessoas do mercado gráfico ajam profissionalmente, mas um grande amigo meu bastante experiente em vida de birô (e que me recomendou sair dessa vida o mais rápido possível) tem toda razão: Esses caras são todos desajustados e não têm vida própria.
Eu vou além: alguns ganham a vida às custas dos esforços de outros.
Certos vendedores de nariz empinado que ganham rios de dinheiro vendendo serviços com prazos já esgotados e com aprovações de última hora, merecem perder tudo o que ganharam de uma só vez. E se Deus existe, é o que deveria acontecer.
Graças a esses cretinos, nós aqui da produção perdemos nossas vidas, nossa saúde, nosso convívio familiar, nossa conta bancária e nossa paciência, porque temos de entregar essas bostas no prazo.
Digo bostas, porque não há tempo para uma produção com qualidade.
Aí, nós aqui dos birôs, esfomeados e desesperados para pagar nossas contas, pegamos qualquer bosta, topamos qualquer bosta, fazemos qualquer bosta, o serviço acaba ficando uma bosta, o cliente diz "Que bosta!" e claro, se recusa a pagar pelos esforços sobrehumanos dos coitados que vivem na bosta e é exatamente por isso que continuam na bosta. Isso, quando o filho da puta do cara que vendeu essa bosta não perde o cliente.
Hoje, às 18:30, me chegam com um pacote de fotos que vai nos fazer atravessar a madrugada toda porque a feira Automec (cuja data já é sabida desde o ano passado) começa no domingo.
Logo, as fotos precisam ficar prontas esta noite.
Isso porque estamos saturados de outros serviços nas mesmas condições, com o cliente do nosso cliente já cobrando outras fotos...
Aí, graças a um desses vendedores de bosta, que só ficam com os louros da vitória às nossas custas e que duvido que vai atravessar a madrugada para acompanhar essa merda, simplesmente não tem coragem para chegar num cliente e dizer coisas do tipo "se você não liberar o material até certo período, eu não terei como entregar o seu trabalho no prazo para a feira". (Belo negociante!)
Se algum de vocês me enviar algum e-mail pedindo nomes, eu darei com o maior prazer e conto a história toda.
Uh... Eu adoraria que algum jornal publicasse como é a vida de gente como eu.
Dica para quem quiser um serviço bem feito: planeje prazos longos, dê margens aos erros, imagine que tudo tem um tempo de produção.
Enfim: seja profissional ao invés de filho da puta, ou vou falar de você neste blog!

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