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sábado, 8 de março de 2003

Hoje, resolvi escrever sobre religião.
Esse assunto é bastante delicado e sempre gera controvérsias, porque assim como a política, pode ferir profundamente dois sentimentos humanos muito fortes (e ao mesmo tempo, primitivos): o orgulho e o desejo de fazer uma maioria.
Aliás, política e religião sempre foram assuntos muito ligados entre si, porque são portas para o poder.
Guerras já foram travadas em nome da religião e governos se formaram ou foram depostos por ela.
O assunto é tão perigoso que é proibido nas reuniões da maçonaria (pelo que me consta).
Como fundacionista, eu separo as religiões das crenças religiosas e assim, isolo as crenças individuais das pessoas (que eu respeito muito e acho que cada indivíduo tem todo o direito de crer no que bem entender), das religiões ou seitas, cujos princípios sempre partem das interpretações de poucos, que convencem muitos a convencerem muitos outros e isso torna-se um ciclo sem fim. E assim, pode surgir um poder mais social que espiritual.
Pessoalmente, prefiro acreditar na introspecção ao simplesmente aceitar as crenças alheias sem questionar.
Prefiro pesquisar, me informar, estudar e principalmente sentir, ao seguir linhas de pensamento impostas ou propostas.
Escrituras antigas têm um valor muito forte, mas as interpretações podem ser muito divergentes. E por isso mesmo, sujeitas a uma análise muito mais profunda do que uma simpes e breve leitura em grupo e aceitação geral da interpretação única de um indivíduo, perfeitamente humano e por isso mesmo, imperfeito e sujeito a erros ou distorções das linhas de pensamento e o que é pior: infelizmente na maior parte das vezes, em nome de um ser superior e perfeito, o que facilita a crença do grupo em sua interpretação individual.
Contextos históricos, condições de registro linguístico, política e economia da época, assim como outros fatores como guerras e perseguições devem ser levados em consideração.
Eu acredito no que eu descubro, no que eu conheço e busco o que ainda não conheço para conhecer melhor o que devo acreditar.
Só assim, posso evitar o efeito da Torre de Babel sobre minhas próprias crenças individuais.
Não acredito no homem e sim na verdade pura, que é a essência da religião em que eu acredito.

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