terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Para começar o Picolo's Blog 2012 (um pouco tarde, já que em janeiro não postei nada).
Ontem, fiz uma coisa muito boa, que há anos eu queria fazer e só agora conseguí: achar um lugar seguro para queimar meus diários e todas as lembranças associadas a ele, inclusive mais de 1000 origami que fiz, inclusive os dois menores "tsuro" do mundo (para a época, feitos com papel de 4x4mm).
Os motivos pelos quais eu queria destruir todo aquele material, eram muitos, mas o principal, foi uma promessa que eu fiz a mim mesmo, que  inclusive incluía a destruição desses diários se eu vencesse uma guerra pessoal contra mim mesmo.
Levou muitos anos para que eu conseguisse mudar meu modo de pensar e agir, da emotividade para a razão pura e agora, para o equilíbrio sereno e consciente (ou pelo menos tentando).
Esses diários, escritos entre 1992 e 1996, eram um registro de uma das piores fases da minha vida, uma fase completamente emocional, em que,  num lapso... quase perdí completamente a razão. Quase.
Se eu não tivesse recobrado a razão durante aquele lapso após a última página dos diários, eu não estaria escrevendo este texto aqui agora, 16  anos depois.
O conteúdo, era extremamente deprimente, praticamente só de lamentações. Tão desesperadoramente ruim que a mera tentativa de lembrança do conteúdo daqueles diários eram como uma visão direta do inferno para mim.
Queima-los, foi como uma vingança, um alívio e um fardo a menos para carregar.
Foi como finalmente cremar um cadáver. No caso, de um outro "eu" que já morreu há 16 anos.
Como é tradição, quem ganha uma guerra, queima os registros de quem perdeu a guerra... e foi o que fiz comigo mesmo: vencí a guerra contra mim mesmo e queimei os registros históricos da versão derrotada do meu "eu".
 


Os Illuminati desta vez tomaram SOPA
"Não podemos resolver os problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usamos ao cria-os."


Esse ano a Nova Ordem Mundial começou "legal" hein?
Em apenas pouco mais de UM MÊS, a liberdade de expressão mundial tomou de uma só vez TRÊS ameaças sérias: SOPA, PIPA e ACTA, forçando o rompimento do silêncio do mundo dos cyberativistas, que de uma hora para outra, de marginais excluídos passaram a heróis, embora a mídia tradicional, ou seja... jornais, revistas, rádio e televisão, (que naturalmente estão sob o controle justamente dos que estão por trás do  SOPA, PIPA e ACTA) ainda insistam em "pinta-los" para a grande massa com o termo "hacker", que muitos associam aos criminosos virtuais conhecidos como "crackers", mas que para a "grande massa", é tudo a mesma coisa.
Apesar da má fama imposta pela mídia tradicional, os hackers até ajudam os administradores de sistemas a encontrarem brechas e falhas de  segurança em seus sistemas para se protegerem melhor contra ataques cibernéticos, o outro (o cracker) procura as mesmas brechas para causar estragos ou roubar informações.
O fato de esses eventos virem à tona de uma única vez, SOPA, PIPA e ACTA, três propostas de mudanças de legislação com o falso pretexto de  "proteger patentes, propriedade intelectual e direitos autorais" (o que já existe até em excesso nos tempos modernos, diga-se de passagem), foi um golpe tão baixo e grave contra as liberdades de expressão que não só hackers e crackers se uníram, como também os phreakers, os geeks,  os otaku, os tweakers, os wizards e todo tipo de tribo nerd existente no planeta numa legião conhecida com o nome genérico de "Anonymous", numa mobilização única na história humana, em que esse povo pacífico e aparentemente neutro, normalmente limitado a "curtir e compartilhar" ou twittar suas indignações (um pouco mais saudável), começaram a reagir, tomando ações de verdade, que embora de formas um tanto questionáveis, foram suficientes para esclarecer que os "grupos de acionistas anônimos", as sociedades secretas (ou ambos os grupos, que penso, podemos chamar genericamente de "Illuminati"... pelo menos aqui neste blog, até eu achar uma palavra melhor para descrever os "donos do mundo"), apesar de estarem  desenvolvendo seu poder desde os tempos da babilônia em cima da ciência "travestida" de "poderes divinos" até o atual poder sobre a economia, energia, mídia, alimentação, água e... (Preciso ler "Os Protocolos dos Sábios de Sião" para entender melhor isso... antes que a má-fama simplista de livro "anti-semita" o faça desaparecer de vez da história.) enfim, apesar de todo esse poder, eles têm um obstáculo: tudo isso só funciona porque os nerds fazem funcionar.
Se todos os nerds do mundo se unírem por uma causa (e eu já disse isso aqui neste blog mais de uma vez), representarão o maior poder que já existiu sobre a Terra.
Sem os nerds, computadores deixam de funcionar, redes deixam de funcionar (a Internet é uma delas), a mídia deixa de funcionar (depende de  nerds que saibam operar os meios de transmissão, impressão, edição, etc.), datacenters (onde dados como os das suas contas bancárias assim como as dos Illuminati, por exemplo, ficam guardados), enfim...
Embora a "grande massa" nem faça idéia das implicações REAIS de propostas como SOPA, PIPA e ACTA (que se disfarçam de "novos acordos proteger  marcas, patentes e direitos autorais ou de propriedade intelectual", mas que podem tirar do ar e proibir para sempre, blogs como este que você está lendo agora), qualquer um com um pouco mais de córtex cerebral inafetado por má programação de TV, propaganda ou excesso de cerveja certamente já percebeu e se indignou.
Não se sabe quantos fazem parte do "Anonymous", mas devem ser milhares, que eventualmente poderiam se tornar milhões, espalhados por toda  parte, inclusive áreas altamente restritas pelo mundo todo, como departamentos de defesa, centros de Inteligência, etc. - E ninguém sabe quem ou quantos eles são.
E embora possam parecer (e serão "pintados" pela mídia como) meros cybercriminosos, o grupo já fez coisas bastante louváveis como por exemplo, derrubar mais de 40 sites de pornografia infantil e convidar o FBI e a Interpol a investigar cerca de 1500 pessoas envolvidas com os mesmos.
A meu ver, os únicos problemas para os Anonymous serão os verdadeiros cybercriminosos resolverem se fazer passar por eles, ou se os Illuminati forjarem uma sutuação para mover a opinião pública contra eles (o que é muito fácil quando se é dono da mídia global).
Agora, convenhamos... Já existem leis de sobra para proteger marcas, patentes e direitos autorais ou de propriedade intelectual.
São tantas, que por exemplo, os inventores que trabalhem para alguma grande corporação, deixam de ter direitos sobre seus inventos, sendo na  melhor das hipóteses, forçados contratualmente a vender os direitos sobre seus inventos para as empresas contratantes (assim, ninguém nessas empresas se sente motivado a desenvolver nada); são tantos, que muitos músicos preferem compartilhar suas músicas de graça em MP3 na Internet  e ganhar dinheiro com show, do que depender de gravadora que só vai divulgar o que dá mais lucro para a gravadora (ou seja, o que é mais  barato e rápido de produzir, o povo consumir e descartar... e dane-se o artista de verdade, né?); são tantos que muitos videoclips já estão sendo censurados* geograficamente (contrariando todo o discurso comercial da tal de globalização), bem como trailers de certos filmes (de modo  que alguém de um país se sinta frustrado em não poder conhecer ao menos um pouco mais da cultura do povo de outro país).
O fato é que existe excesso de proteção para as tais "patentes, propriedade intelectual e direitos autorais", que só favorece no final das contas, os tais Illuminati.
Porém, o dia em que toda a produção do mundo já estiver na China, todas as fábricas do resto do mundo já tiverem mandado seus funcionários para a rua e estes consequentemente perdendo totalmente seu poder de compra em função do desemprego, certamente com o know-how adquirido, a China dominará o comércio no mundo, com produtos que só eles produzirão e comercializarão a preços que só eles poderão fazer, porque não dependerão de  proteção alguma sobre marcas, patentes, copyright, propriedade intelectual, etc. e com isso, o mundo descobrirá tarde demais a diferença entre custo e investimento.
Nesse dia, os países estarão todos quebrados e pouco tempo depois, nem a China terá para quem vender sua produção.
Assim será o fim do Capitalismo.
A pergunta que fica agora é... De quê adiantará o poder dos Illuminati sem ele?


* Vocês sabiam que não existe mais um único videoclip do Ozzy Osbourne cantando sua clássica música "Changes", que não seja a versão com sua filha (que sinceramente, canta mal à beça pro meu gosto) e que não existe mais na Internet um vídeo de um comercial da Polyvox dos anos 80, em que os presidentes Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev se divertíam videogame (Atari) em plena Guerra Fria? O quê de mal há em vídeos como esses?
Agora... vídeos do BBB pode ter aos montes no YouTube aqui do Brasil, né?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Seguindo a tradição, este é o último texto do ano aqui neste blog (e que também tradicionalmente, tende a ser mais  introspectivo). Com esse, 2011 só teve 10 textos, o que indica que meu tempo está cada vez mais curto para que eu possa  parar, respirar e refletir.
2011 foi um ano que começou com grandes perspectivas na área profissional, mas que acabaram por ficarem estagnados em  função de estratégias de orígem distante e que acabaram por jogar as estratégias locais por água abaixo.
É ruim isso? Talvez não seja de todo ruim, embora o workload da equipe fique cada vez mais complicado de gerenciar (eu  diria que no limite, como uma verdadeira bomba-relógio para que atitudes reativas possam começar a se mostrar  necessárias).
Mas enfim... sejam lá quais forem as estratégias gringas (se é que existem) para a gente aqui do Terceiro Mundo (Não  adianta chamar de "Países em Desenvolvimento" que esse papo furado nunca me convenceu. Aqui é país pobre mesmo e ponto final.), o fato é que os grandes heróis só  são reconhecidos após grandes batalhas (mesmo que acabem perdendo a guerra) e este ano, infelizmente tivemos muitas  baixas de soldados muito, muito bons.
Meu projeto de trocar de carro, adiei novamente e nem penso mais nisso no momento, uma vez que ele tem me satisfeito mais  do que muito carro zero me satisfaria, já que é muito resistente, tem manutenção barata, não chama atenção, não fico com  dó dele ao mante-lo estacionado "ao relento" na minha vaga do condomínio onde moro e me leva onde preciso ir.
Confesso que de certa forma também estou boicotando a Indústria Automobilística no Brasil, que fatura um absurdo além da  maior carga tributária do mundo, o que faz com que os veículos à venda no Brasil tenham a pior relação custo/benefício no  planeta.
Ano passado, nessa época, eu pretendia fazer um upgrade no equipamento de som, o que funcionou melhor do que o esperado,  embora agora eu precise de um rack novo.
No campo pessoal... houveram contratempos extremamente difíceis, mas que, culminaram numa saga de fazer inveja aos  melhores romances de Hollywood, ou dos livros de Sidney Sheldon, para a nossa felicidade (minha e da minha querida namorada, que  pretendo ter comigo pelo resto da vida), para uma lição aos pessimistas e para o inferno dos invejosos.
Apesar dos contratempos do meio do ano que me testaram até meus limites, fecho o ano com um balanço bastante positivo.
Não foi fácil, mas não só sobreviví, como vencí os desafios deste ano e agora, tenho a aliada que estava faltando, no  projeto de construirmos juntos o nosso futuro. (E que aliada! Amo mesmo essa mulher!)



O último texto de 2011
"Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio."
(Pitágoras de Samos)


O "grito de guerra" deste blog é "mostrando a ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas". Mas  levou um tempo para que esse slogan surgisse, uma vez que no começo, este blog era apenas um teste, uma brincadeira e...  quem diria, se tornaria o que é hoje, um blog que apesar de pouquíssimos posts, tem um verdadeiro fã-clube.
Ora... não sou escritor, meu QI é só 122 (o que se considera como "muito acima da média"... mas nem tanto), não tenho nem mestrado, nem doutorado, nem licenciatura, nem um mísero certificado de "nível superior" (embora que essa "superioridade" tenha  infelizmente se mostrado altamente questionável nos últimos anos), sou um cara meio atrapalhado, distraído, excêntrico, talvez um tanto caricato aos olhos de algumas pessoas, não sou nenhuma autoridade, ou celebridade, ou empresário de sucesso... enfim, aparentemente não existem lá grandes motivos para que este blog tenha o sucesso que tem. Então fico aqui tentando entender o que há de tão especial nele que motiva as pessoas a visita-lo com tanta frequência, ou com tanto interesse e a conclusão a que chego é que a resposta talvez esteja na forma como exponho aqui, as minhas reflexões sobre o mundo, sobre a sociedade, etc.
Costumo levar muito tempo para escrever cada texto deste blog e isso no momento, me faz meditar sobre outros tempos, mais precisamente sobre uma antiguidade longínqua, em que os textos eram elaborados com reflexões que muitas vezes levavam a vida toda.
Muitos desses escritores ganharam títulos de filósofos, mestres, profetas e alguns, como reis, sacerdotes, bem como seus seguidores, elaboravam suas reflexões da mesma forma e, como esses eram tidos como "divindades na Terra" ou as representavam, muitos de seus textos eram (e ainda são) vistos como inspirados pelas divindades que representavam.
Não pretendo discutir aqui, as fontes de inspiração desses textos, mas enfatizar a qualidade das reflexões dos mesmos.
Tanto que permanecem atuais e algumas, de tão bem pensadas são fáceis de serem vistas como "profecias" ou coisa parecida.
Exemplo: É fácil imaginar que a população tende a crescer exponencialmente e que com isso, no futuro (ainda que distante)  faltarão coisas como abrigo, água e comida e que com isso, surgirão guerras, afinal, será a luta pela sobrevivência.
Também é fácil imaginar uns poucos privilegiados governando muitos, como sempre aconteceu ao longo da história e que as  lutas pelo poder podem ter formas bem mais discretas, do que o que aparenta, uma vez que a opinião pública é, como sempre  foi, ferramenta estratégica política.
Quando optamos por nos juntar a um grupo e levantamos uma "bandeira" em prol de um ideal (seja político, seja religioso, seja de um clube esportivo, seja de uma marca de um segmento de produtos), estamos assumindo para nós, um símbolo que  representa todos os valores por trás do mesmo, de modo que todos os outros "símbolos" passam então a ser ignorados ou mesmo combatidos, ainda que tenhamos sérias dificuldades em perceber isso, emocionalmente cegos pelo orgulho de ostentar  a tal "bandeira", ou pelo ego, ou por questões emotivas ligadas ao grupo que ostenta a mesma "bandeira" (e supostamente  os mesmos valores, embora que muitas vezes, apenas superficialmente).
Se pararmos para analisarmos a nós mesmos nesse sentido, notaremos que por mais que neguemos, estamos sempre ostentando alguma "bandeira", tipo... "eu gosto mais da Pepsi", ou "eu sou vegetariano", ou "sou evangélico" ou ainda "adoro rock".
Por um lado, "bandeiras" desse tipo, definem e transmitem idéias sobre a personalidade individual, mas prende o indivíduo aos valores por trás desses "rótulos".
Esse indivíduo hipotético que prefere Pepsi, é vegetariano, evangélico e adora rock, certamente até bebe Coca-Cola embora com indiferença quando não tem a opção preferida, evita churrascarias (e torce o nariz para quem come carne), defende com  unhas e dentes o criacionismo (embora na prática, dependa da teoria do evolução quando precisar usar antibióticos) e foge de samba, axé, pagode e sertanejo (que de sertanejo mesmo não tem nada).
Assim sendo, o indivíduo que levanta uma "bandeira" para se incluir num grupo, muitas vezes implica em se assumir  intolerante para com indivíduos de outros grupos ou que têm valores contrários ao que sua "bandeira" representa.
E é aqui que o cuidado se faz necessário: essa intolerância, muitas vezes, nos priva de importantes oportunidades de visão, de aprendizado, ou de experiência de vida.
Se por um lado, ter uma personalidade implica em ter certas características e seus correspondentes valores de formação, por outro, a humildade em ouvir, é aceitar que existem outros pontos de vista e respeitar o outro indivíduo.
Uma prática que está cada dia mais em falta e desincentivada na sociedade atual e que é a orígem da ignorância ao invés da sabedoria.
Se estou certo ou errado, isso pouco importa, se tenho o bom senso de aceitar, de compreender, de respeitar e até de defender o direito das pessoas de terem opiniões que posso considerar contrárias às minhas.
Não me considero um homem lá tão inteligente quanto muita gente julga, mas considero essa, uma atitude simples e bastante sábia e que nos abre um leque imenso de possibilidades de aprendizado humano e de experiências de vida.
Se você nunca experimentou praticar o ato de ouvir os pontos de vista diferentes dos seus com o intuito de entende-los, mesmo que contrários aos seus valores, recomendo.
Você só terá a ganhar com isso... sempre.

Um excelente 2012 a todos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Já faz bastante tempo que não escrevo neste blog e os leitores certamente já começam a ficar impacientes, mas vamos aos fatos...
Geralmente escrevo aqui, quando estou descontente com alguma coisa, o que faz com que essa forma peculiar de compartilhar minhas observações de coisas ruins através de textos aqui, faz com que este blog talvez se torne um tanto irritante por só apontar as coisas ruins que existem no mundo, dando um tapa de luva de pelica na cara das pessoas sobre a "ignorância da humanidade (incluindo a minha) entre outras coisas", numa tentativa obviamente inútil de "acordar o mundo" para isso, mas de certa forma isso é quase que como uma terapia para mim.
Essa "terapia" talvez tenha sido o primeiro passo que dei em minha vida, no sentido de identificar as coisas ruins que perturbavam a minha mente e isola-las de modo a passar a cultivar apenas as coisas que realmente me fazem bem e o resultado disso, é que hoje, mesmo com as dificuldades da vida cotidiana e com as incontáveis complicações estupidamente desnecessárias do mundo moderno, estou conseguindo (com forte ajuda da sapiência e compreensão da minha amada) furar o bloqueio e ser feliz.
O mês de novembro ficou "órfão", pois foi bastante agitado e teve alguns imprevistos que eliminaram o tempo que eu reservava para escrever novos textos aqui deste Blog e para a Strix.
Está cada vez mais difícil escrever para publicar, seja por falta de tempo, seja por cansaço, seja por falta de inspiração.
Como eu disse, tenho começado a isolar coisas que me deixam irritado, entre elas, os noticiários, que aparentemente só trazem más notícias e o que é pior: com elas, a sensação de impotência em querer muda-las.
Sem notícias ruins, faltam assuntos ruins para comentar aqui no blog, no entanto algumas coisas ainda sobram do dia-a-dia.
Antes de ler o texto de hoje, recomendo dar uma lidinha nos textos "O politicamente correto fede!" e "Obsolescência", que são textos bastante relacionados com as idéias e opiniões que pretendo expôr aqui hoje.



O politicamente correto fede! (Parte 2)

"Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo… Esqueça-me!"
(Clarice Lispector, escritora ucraniana naturalizada brasileira de citações extremamente populares na Internet brasileira.)


É irritante a hipocrisia e o cinismo do mundo moderno e mais irritante ainda a "vista grossa" que é feita em torno disso, embora pouco se possa fazer a respeito.
Desde criança ouço esses assuntos de "aquecimento global", mas por mais que se aparentemente a gente faça a respeito, a média global de poluição continua aumentando e a resposta para isso é bastante simples: A Indústria e o Comércio transformaram "Ecologia" num negócio, uma bandeira comercial, ou seja... na prática, é mais uma oportunidade para ganhar dinheiro promulgando chavões como "preservar a natureza".
As sacolas plásticas de supermercado, por exemplo.
Elas são feitas de material reciclável, logo, não existe razão para proibi-las ou deixarmos de usa-las, exceto pelo fato de que elas custam dinheiro para os comerciantes, então eles querem vender a idéia de o cliente usar sacolas não descartáveis.
No entanto, a idéia é completamente oposta quando eles querem nos vender seus produtos, uma vez que praticamente todos os produtos que nos são ofertados pelo Comércio e pela Indústria são feitos exatamente para serem descartáveis!
Notaram a contradição?
OK... alguns leitores vão dizer (com razão) que é o mau uso das tais sacolas plásticas é que são a causa do problema, mas... primeiro, elas podem ser recolhidas e recicladas exatamente como se faz com garrafas PET e segundo, elas podem ser substituídas pelas sacolas biodegradáveis, no entanto não existe interesse por parte dos comerciantes em adota-las por um simples motivo: elas são tão ou mais caras que as sacolas plásticas convencionais.
Para encerrar o assunto das sacolas plásticas, deixo aqui um link para a genial da opinião do falecido humorista George Carlin a respeito disso.

Outro exemplo de mistura de cinismo com hipocrisia, foi a implementação forçada (imposta, nada democrática) do novo "padrão brasileiro" de plugs e tomadas, que de brasileiro não tem nada, uma vez que já era adotado na Itália há muitos anos.
Bom... a propaganda no site do Inmetro diz coisas bastante bonitinhas e "assépticas" como tudo o que é papo politicamente correto.
Vamos listar as declarações do Inmetro (extraídas do próprio site deles) e comparar com a vida real aqui:

  1. "Antes da padronização, o consumidor convivia com mais de 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas diferentes, o que tornava necessário o uso indiscriminado de frágeis adaptadores para ligação dos aparelhos, com diferentes plugues nos diversos modelos de tomadas existentes. Em alguns casos, os formatos e as potências distintas dos aparelhos tornavam o ato de ligá-los uma ameaça à segurança do usuário."
    Bom... agora temos mais 8 conectores diferentes (dois pinos e três pinos para correntes até 10A e seus correspondentes machos e fêmeas e mais dois e três pinos para correntes até 20A , obviamente também com seus correspondentes macho e fêmea. Acima de 20A, qual é o "padrão"? Bom... boa pergunta, mas não vamos nos aprofundar nesse ponto ou esse texto ficará um tédio de tão longo.) e seus correspondentes adaptadores que são imensos (geralmente ocupam o espaço de três tomadas de uma "régua de força" profissional dessas de rack de datacenter) e absolutamente incompatíveis com a infraestrutura já instalada, bem como as "réguas de força" e "filtros de linha" supostamente homologados que são comercializados, forçando o usuário a fazer mais adaptações como cortar plugues ou fazer "réguas de força" por conta própria para adaptar os aparelhos comprometendo ainda mais a segurança do usuário.
    Aí vem outro problema... as fontes de força plugáveis direto na tomada. Com os adaptadores, elas tendem a cair da tomada ou ficarem com conecção frouxa.
     
  2. "Entendendo o impacto que poderia provocar a mudança, o Inmetro resolveu certificar os adaptadores, de maneira a tornar a transição mais suave."
    Entenda como  "transição suave", arrancar todas as tomadas das paredes e comprar tudo novo além de cortar os plugues de todos os aparelhos da sua casa para parafusar tomadas novas e ainda comprar adaptadores para todos os aparelhos que você tam em casa.
    Isso certamente não sai barato e a Indústria de materiais elétricos saiu ganhando muito dinheiro com essa "transição suave" e continuará ganhando muito ao longo dos anos.

Resumindo, o único lado que saiu ganhando com isso na prática foi a Indústria e Comércio, que da noite para o dia produziu e vendeu bilhões de plugs, tomadas, adaptadores e outros produtos única e simplesmente para substituir os antigos (que não são recicláveis), mas que estavam funcionando muito bem e que agora, viram lixo tóxico nos aterros sanitários...
...E a sacolinha de supermercado é que leva a culpa!?

Esses dois exemplos citados, ou seja, da sacolinha de supermercado e o do padrão de plugs e tomadas são o que chamo de "propaganda pseudo-ecologicamente correta" e "pseudo-serviço social" e em ambos os casos, estamos sem perceber, aceitando o ato de "duplipensar" citado visionariamente em 1948 pelo escritor George Orwell em seu livro "1984".
Porém, o ato impulsivo e inconsciente de "duplipensar" abrange um sem-número de outras propagandas "politicamente corretas" e que podem envolver por exemplo a opinião pública.
Bandeiras como "combate à inflação" ou "combate ao terrorismo" por exemplo, são ferramentas políticas bastante poderosas, especialmente em discursos de ano eleitoral.
O "duplipensar" também é um estímulo comum no ambiente corporativo, embora mais sutil, geralmente regado à práticas do tipo "ofurô corporativo", que podem até "enfeitar" a imagem das empresas para quem não trabalha nelas, mas não convence ninguém "do lado de dentro" e o tiro geralmente acaba saindo pela culatra através dos incontáveis (muitas vezes irritantes) comentários dos insatisfeitos de plantão em dia ruim.
O "politicamente correto" pode ainda ser argumento para restringir liberdade de expressão também, através de novas leis que estão sendo promulgadas e que na prática, só servem para punir quem não adere à linguagem "politicamente correta": Programas de TV como o "TV Pirata" hoje seriam inconcebíveis, por satirizarem diretamente certos os grupos sociais por etnia, ou opção sexual, por exemplo, (mas que tinham quadros muitíssimo inteligentes criticando por exemplo o estímulo às práticas consumistas por parte das crianças ou a eficiência do funcionalismo público.)
Embora essas leis levantem a bandeira do "politicamente correto" e servem muito bem para angariar votos em tempos de campanha, os eternos e lamentáveis preconceitos jamais deixaram de existir, uma vez que elas punem, mas não educam.
Aliás, o que educa, é escola (de qualidade), é família e influência de pessoas educadas (através de escola e família).
Mas como escola abre muitos olhos para o funcionamento de coisas "politicamente corretas" e dá consciência para inibir o "duplipensar", investir em escolas de qualidade é como investir numa ameaça ao sistema formado por políticos cujas campanhas são financiadas pela Indústria e pelo Comércio e que por sua vez pertencem (lá no topo da pirâmide, em sua imensa maioria) a poucos grupos oligárquicos anônimos.
É... nossa visão dificilmente alcança o topo da pirâmide.



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